Seul, Coreia – 00h30min
A noite estava fria e silenciosa enquanto os três passavam pela rua. Jimina estava à frente dirigindo, com o olhar fixo no caminho à sua frente. Ela não sabia o que o futuro reservava, mas algo dentro dela dizia que, enquanto estivessem juntos, ela teria forças para enfrentar qualquer coisa. Jungkook estava logo ao banco de trás, ela pensava como se ainda estivesse tentando entender o que acontecia ao seu redor.
Charlie, que estava ao lado de Jimina, observava os dois com uma expressão séria, mas não deixava de notar a pequena mudança em Jungkook. Ele ainda estava distante, mas sua postura estava um pouco mais relaxada, a tensão em seu corpo, embora ainda presente, não era tão esmagadora quanto momentos atrás.
O som do carro ecoava nas ruas desertas. Jimina não conseguia deixar de pensar em tudo o que aconteceu até aquele momento. Cada palavra, cada gesto, cada decisão a tinha levado até ali. Ela sabia que o caminho não seria fácil, mas se houvesse uma chance de salvar Jungkook, ela não hesitaria em segui-la, mesmo que o fardo fosse pesado.
— Jimina...
A voz dele estava suave, quase imperceptível, mas carregada de uma tensão que ela sentiu em cada palavra.
Ela parou, virando-se lentamente para encará-lo, um leve sorriso nos lábios, como se soubesse que ele estava se esforçando para falar. Ele parecia tão quebrado, tão perdido em seus próprios pensamentos. Jimina estendeu a mão, como uma oferta silenciosa de apoio, e ele hesitou, antes de finalmente olhar para ela com um misto de agradecimento e medo.
— O que está acontecendo comigo?
A pergunta foi um suspiro, quase uma confissão de sua dor. Jungkook parecia perdido em um turbilhão de emoções e memórias fragmentadas, tentando compreender o que ainda restava de quem ele era.
Jimina respirou fundo, sentindo o peso das palavras que teria que dizer. Ela sabia que não seria fácil convencê-lo de que ainda havia uma chance para ele, uma chance para ambos.
— Eu sei que você não entende, Jungkook. Mas você ainda é você. Não importa o que tenha acontecido, não importa o que tenha sido feito com você, o que importa é o que você escolhe ser agora.
Ela olhou diretamente para ele, tentando alcançar o fundo de seus olhos, onde ela sabia que ele ainda estava lutando para se encontrar.
— Eu não estou aqui para te julgar, nem para te abandonar. Eu estou aqui porque acredito em você. Sempre acreditei.
Ele fechou os olhos por um momento, como se as palavras dela o estivessem atingindo de uma forma mais profunda do que ele imaginava. Jungkook deu um passo à frente, e ela notou que sua mão se movia lentamente em direção à dela, como se ele estivesse se permitindo confiar, mesmo que um pouco.
— Eu... não sei se mereço essa confiança. Não depois de tudo.
Sua voz vacilou, como se ele estivesse lutando contra si mesmo, contra a ideia de ser digno de amor, de redenção.
Jimina segurou sua mão quando ele finalmente a alcançou, sem hesitar. O contato entre os dois parecia um ponto de virada, como se a simples ação de se tocar fosse uma promessa silenciosa de que eles ainda podiam encontrar o caminho de volta um para o outro.
— Todo mundo merece uma chance de recomeçar.
Ela disse com firmeza, sua voz carregada de uma certeza que ele ainda não compartilhava.
— E você tem a sua chance, Jungkook. Não importa o quanto o caminho seja tortuoso, eu vou estar aqui. Eu te amo. E por isso, eu vou te ajudar a sair disso, não importa quanto tempo leve.
Ele a observou, ainda com dúvida nos olhos, mas algo em sua expressão parecia suavizar. Talvez fosse o simples fato de não estar mais sozinho, talvez fosse a força dela, que ele reconhecia e sentia. Mas, por um breve momento, algo no ar parecia mudar. A barreira que ele erguera ao redor de si estava começando a rachar, e ele podia sentir.
— Eu...
Jungkook parou, como se as palavras fossem difíceis de formar, como se seu coração estivesse se debatendo contra sua mente.
— Eu não sei se consigo mais...
Jimina apertou sua mão um pouco mais, como se quisesse garantir que ele não desistisse.
— Você pode, Jungkook. Nós podemos.
Charlie, que havia ficado quieto durante toda a troca, finalmente falou, sua voz grave e ponderada.
— Não será fácil. Não importa o quanto você queira acreditar que tudo pode voltar ao normal, a luta será constante. O que está dentro de você não vai desaparecer em um estalar de dedos.
Jimina olhou para Charlie, reconhecendo a verdade em suas palavras, mas algo dentro dela não vacilava. Ela sabia que a luta de Jungkook não seria apenas contra o que estava fora de controle, mas também contra o que ele acreditava ser seu destino agora.
— Ele não está sozinho, Charlie
ela disse com firmeza, olhando para a irmã.
— Eu não vou deixá-lo lutar sozinho.
Jungkook olhou para ela novamente, sua expressão ainda em conflito, mas algo em seus olhos estava mais claro agora. Ele respirou fundo e, pela primeira vez em muito tempo, deixou-se cair um pouco mais na confiança que ela estava oferecendo.
— Eu... vou tentar. Eu não sei o que isso significa, mas vou tentar.
O sorriso que Jimina deu foi suave, mas cheio de um amor profundo e incondicional.
— Isso é tudo o que você precisa fazer. Vamos dar um passo de cada vez, Jungkook. Um passo de cada vez.
O trio continuou a caminhar pela rua, agora mais unidos do que antes. O futuro era incerto, e os obstáculos que viriam provavelmente seriam muitos, mas naquele momento, Jimina sentia uma sensação de alívio. A batalha ainda estava longe de acabar, mas ela sabia que eles tinham algo que muitos não tinham: a força de uma promessa.
E enquanto caminhavam juntos, lado a lado, o silêncio da noite parecia, de alguma forma, mais suave. Como se, no fundo, a esperança ainda estivesse viva.
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𝐌𝐀́𝐅𝐈𝐀
ActionPark Jimina é a melhor policial. Uma mulher determinada que não tem medo de se arriscar. Ainda mais se sua missão envolver aqueles que mais ama. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando sua mãe adoece e não sabe de onde levantar dinheiro para paga...
