• Chapter Twenty-one •

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Eu acelerava pela cidade deserta, o ronco do motor da minha moto ecoando pelas ruas vazias

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Eu acelerava pela cidade deserta, o ronco do motor da minha moto ecoando pelas ruas vazias. O vento cortava minha pele, gelado e implacável, mas não era o suficiente para apagar o fogo que queimava dentro de mim.

Então, a morceguinha é a Raven...

Aquela casa... aquela casa era dela. A mesma que vimos da varanda naquela noite. A mesma de onde ela acenou para mim e Christian, como se já nos conhecesse, como se soubesse algo que ainda não entendíamos. Foi ela quem nos observou atravessar a madrugada, oculta nas sombras, como se fizesse parte delas.

E agora tudo fazia sentido.

Ela. A garota que despertou em mim um fascínio impossível de explicar. A que me fez quebrar todas as minhas regras. A que me fez sentir algo que eu jurara nunca mais permitir.

O gosto dos lábios de Raven ainda estava na minha boca, intenso e viciante. Eu podia sentir seu corpo como se ainda estivesse entre minhas mãos, seus contornos se moldando aos meus toques, sua respiração entrecortada contra minha língua. O jeito como ela se entregou, como reagiu ao meu toque...

Droga.

Meus dedos apertaram o guidão com mais força, o maxilar travado. O que diabos eu tinha feito? Nunca deveria ter beijado ela. Nunca deveria ter tocado seus lábios daquela forma. Mas no instante em que ela me desafiou, no momento em que me olhou com aqueles olhos azuis, carregados de algo que eu não queria nomear, eu soube.

Soube que estava ferrado. Porque, no instante seguinte, cedi.

E agora? Agora eu queria mais. O desejo latejava dentro de mim como veneno, um fogo que se recusava a se apagar. Eu queria o calor da pele dela contra a minha outra vez. Queria sentir seus dedos deslizando pela minha nuca, sua respiração quente se misturando à minha, seus lábios macios me enlouquecendo.

Acelerei a moto, virando a esquina de forma brusca. Eu precisava me controlar. Precisava apagar o cheiro dela que ainda impregnava minha pele, o eco da sua voz na minha mente, a lembrança das suas mãos firmes na minha cintura enquanto eu a levava para longe daquela maldita lanchonete.

Não podia me apaixonar por ela. Minha vida era perigosa, e nunca permitiria que sua vida fosse colocada em risco por minha causa.

Ela não pode ser minha.

Apertei os freios ao entrar no estacionamento do prédio. O rugido do motor se dissipou, deixando apenas o peso do silêncio da madrugada. Passei a mão pelos cabelos, tentando afastar os pensamentos que me assombravam. Eu não podia me dar ao luxo de desejá-la, embora cada fibra do meu ser gritasse o contrário. Mas minha vida não era um conto de fadas. Era sangue, sombras e pecado.

Segui para o elevador do estacionamento, sentindo o peso da noite se arrastar sobre mim como correntes invisíveis. Quando a porta do apartamento se fechou atrás de mim, fui recebido apenas pelo brilho pálido da televisão na sala.

Obscura TentaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora