Raven sempre acreditou que a solidão era o único lugar seguro. Depois de ser traída, espancada e marcada por quem chamava de amigos, ela aprendeu a desconfiar de todos. Entre pesadelos, remédios e o medo constante, sua vida se resume a tentar sobrev...
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A lanchonete ficava cada vez mais vazia, e Thomas me esperava pacientemente terminar meu lanche. Assim que dou a última mordida, ele se levanta, e eu o acompanho.
Ao sair, o vento frio da madrugada me envolve, arrepiando minha pele.
O estacionamento estava quase deserto àquela hora. Apenas a moto de Thomas e alguns poucos carros e motos permaneciam ali. O som distante da cidade ainda ecoava, mas naquele espaço de concreto frio, o tempo parecia desacelerar.
Thomas se encosta na lateral da moto, braços cruzados, enquanto eu permaneço de pé ao seu lado, tentando ignorar seu olhar intenso sobre mim.
O vento balança meus cabelos, e percebo que minha roupa não é suficiente para me proteger do frio. Instintivamente, cruzo os braços.
— Vista. — Ele estende sua jaqueta para mim. E eu hesito em pegar.
— Não precisa.
— Eu não pedi, eu mandei.
Entreabro os lábios, surpresa com seu tom autoritário.
— Só vou vestir porque estou com frio — resmungo, puxando a jaqueta de sua mão.
Thomas continua parado ao meu lado, expressão séria e fria, mas seus olhos dizem outra coisa. Há algo faminto e perigoso neles, algo que me faz prender a respiração por um instante. Ele não diz nada, apenas me observa.
— O que foi? — pergunto, tentando soar indiferente, mas minha voz sai mais baixa do que eu esperava.
Ele inclina ligeiramente a cabeça, mantendo os olhos cravados nos meus.
— Nada.
O silêncio se arrasta entre nós até que ele o quebra, apoiando um pé no pedal da moto.
— Quem é você de verdade, Raven?
Ergo uma sobrancelha, soltando um riso fraco.
— Isso parece coisa de filme. “Quem é você de verdade?” — ironizo, balançando a cabeça. Mas ele continua em silêncio, esperando minha resposta. Suspiro. — Não tem muito o que dizer. Sou só uma garota presa a uma vida que não escolheu, em um lugar que não me pertence.
Thomas assente levemente.
— Compreendo.
Cruzo os braços e o encaro de volta.
— E você? Quem é você de verdade, Thomas?
Ele desvia o olhar por um instante, como se buscasse as palavras certas. Quando finalmente responde, sua voz sai contida:
— Só um cara qualquer.
Solto uma risada descrente.
— Ah, claro. Um cara qualquer que aparece do nada para me salvar, mesmo não me conhecendo direito? E que tem um olhar de quem já viu coisas demais?