• Chapter Twenty •

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A lanchonete ficava cada vez mais vazia, e Thomas me esperava pacientemente terminar meu lanche

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A lanchonete ficava cada vez mais vazia, e Thomas me esperava pacientemente terminar meu lanche. Assim que dou a última mordida, ele se levanta, e eu o acompanho. 

Ao sair, o vento frio da madrugada me envolve, arrepiando minha pele. 

O estacionamento estava quase deserto àquela hora. Apenas a moto de Thomas e alguns poucos carros e motos permaneciam ali. O som distante da cidade ainda ecoava, mas naquele espaço de concreto frio, o tempo parecia desacelerar. 

Thomas se encosta na lateral da moto, braços cruzados, enquanto eu permaneço de pé ao seu lado, tentando ignorar seu olhar intenso sobre mim. 

O vento balança meus cabelos, e percebo que minha roupa não é suficiente para me proteger do frio. Instintivamente, cruzo os braços. 

— Vista. — Ele estende sua jaqueta para mim.  E eu hesito em pegar.

— Não precisa. 

— Eu não pedi, eu mandei. 

Entreabro os lábios, surpresa com seu tom autoritário.

— Só vou vestir porque estou com frio — resmungo, puxando a jaqueta de sua mão. 

Thomas continua parado ao meu lado, expressão séria e fria, mas seus olhos dizem outra coisa. Há algo faminto e perigoso neles, algo que me faz prender a respiração por um instante. Ele não diz nada, apenas me observa. 

— O que foi? — pergunto, tentando soar indiferente, mas minha voz sai mais baixa do que eu esperava. 

Ele inclina ligeiramente a cabeça, mantendo os olhos cravados nos meus. 

— Nada. 

O silêncio se arrasta entre nós até que ele o quebra, apoiando um pé no pedal da moto. 

— Quem é você de verdade, Raven? 

Ergo uma sobrancelha, soltando um riso fraco. 

— Isso parece coisa de filme. “Quem é você de verdade?” — ironizo, balançando a cabeça. Mas ele continua em silêncio, esperando minha resposta. Suspiro. — Não tem muito o que dizer. Sou só uma garota presa a uma vida que não escolheu, em um lugar que não me pertence.

Thomas assente levemente. 

— Compreendo. 

Cruzo os braços e o encaro de volta. 

— E você? Quem é você de verdade, Thomas? 

Ele desvia o olhar por um instante, como se buscasse as palavras certas. Quando finalmente responde, sua voz sai contida: 

— Só um cara qualquer. 

Solto uma risada descrente. 

— Ah, claro. Um cara qualquer que aparece do nada para me salvar, mesmo não me conhecendo direito? E que tem um olhar de quem já viu coisas demais?

Obscura TentaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora