Raven sempre acreditou que a solidão era o único lugar seguro. Depois de ser traída, espancada e marcada por quem chamava de amigos, ela aprendeu a desconfiar de todos. Entre pesadelos, remédios e o medo constante, sua vida se resume a tentar sobrev...
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O sol atravessa a janela e bate diretamente no meu rosto, fazendo-me abrir os olhos com dificuldade. Minha cabeça lateja, meu corpo dói como se um caminhão tivesse passado por cima de mim. A sensação de exaustão me domina enquanto tento me lembrar de como cheguei em casa.
Mas, a cada momento em que tentava lembrar, vem à minha mente o rosto de Ethan, e dos outros dois homens que estavam com Ethan. A cada momento, vêm flashes de memórias do que eu passei.
Da forma como fui drogada, de ter sido perseguida e assediada pelo amigo de Sophia e como fui salva pelo homem loiro, cujo nome não lembro.
Fico parada por alguns segundos, tentando me recompor. Com um suspiro, levanto-me da cama e pego meu celular. Há uma mensagem de Sophia perguntando se estou bem. Respondo rapidamente que sim, sem entrar em detalhes.
Quando vejo a hora, meu coração dispara, já eram 6h58.
— Merda!
Corro para o banheiro e tomo um banho rápido, a água morna ajudando a aliviar a tensão dos meus músculos. Assim que termino, enrolo uma toalha ao redor do corpo e vou para o quarto.
Visto minha lingerie preta, minha calça jeans escura, a farda da escola e coloco meus tênis. Depois de me arrumar, passo perfume e desodorante antes de pegar minha mochila.
Desço as escadas apressada para pegar minha garrafa de água antes de sair. Mas, assim que entro na cozinha, eu paro abruptamente.
Luiz está sentado à mesa, vestindo apenas uma calça de pijama. Seus olhos escuros me analisam com um brilho divertido e perverso. O sorriso de canto nos lábios me faz sentir um arrepio desconfortável na espinha.
— Bom dia. — Ele diz, sua voz carregada de algo que não consigo identificar, mas sei que não é coisa boa.
Ignoro, pegando minha garrafa de água rapidamente. Tento sair, mas sua mão segura meu pulso.
— Ei, Raven... — Sua voz soa baixa, mas carregada de malícia. — A que horas você chegou mesmo ontem?
Meu sangue gela.
— Não sei do que você está falando. — Respondo, tentando parecer despreocupada.
Seu aperto se intensifica, seus dedos firmes contra minha pele.
— Não se faça de sonsa. — Ele sussurra, sua boca se curvando em um sorriso torto. — Eu vi você entrando no seu quarto de madrugada. Você parecia... Animada.
Minha garganta seca. Ele me viu.
— Para onde foi? Uma festinha, é isso? Aposto que se divertiu bastante... — Ele inclina a cabeça, me estudando como um predador observa sua presa.
Puxo meu braço, mas ele não solta. Seu olhar se torna mais sombrio.
— Você não quer que a mamãe saiba, quer? Ou melhor, que ela descubra como sua filhinha perfeita anda por aí se comportando como uma vadia? — Sinto um nó no estômago.