Onze - Jax

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Eu estava realmente ignorando os sorrisinhos de Sebastian

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Eu estava realmente ignorando os sorrisinhos de Sebastian. Pelo amor de Deus, parecia que ele tinha visto um maldito pote de ouro no final de um maldito arco-íris.

Por algum motivo que escapava ao meu entendimento, ele estava animado com a presença daquela princesa intrometida na hospedaria. Ele só podia estar de brincadeira se achava que ela era a tal escolhida. Porque eu já havia passado por inúmeras escolhidas, e nenhuma delas tinha feito nada além de me frustrar mais e mais.

- Qual é, Jax, não me diga que também não pensou na possibilidade.

- É claro que não. – respondi, enquanto colocava feno no comedouro de Filippa. Ela relinchou em agradecimento e bateu os cascos para chamar minha atenção quando eu não a afaguei. Eu costumava ser melhor com cavalos antes. – E você também não devia pensar.

Sebastian passou para o lado de Jonas, seu garanhão negro que contrastava com minha égua branca, e parou encostado na baia com os braços cruzados. Minha vontade era arremessa-lo no feno e cobri-lo com o esterco dos cavalos.

- Mas eu penso, Jax. – ele disse animado, os olhos brilhando de excitação. Pelo amor de Deus. – Quer dizer, a garota apareceu aqui do nada. Deve ser um sinal.

- Um sinal de que você está enlouquecendo de vez, só se for – respondi. – Você tem noção de quantas já tentaram? Porque eu tenho. Foram trinta e oito, Sebastian. Trinta e oito. Contei cada uma delas. E nenhuma conseguiu. O que te faz pensar que essa vai conseguir?

Sebastian encolheu os ombros.

- Talvez trinta e nova seja seu número da sorte.

- Talvez trinta e nova seja o número de vezes que eu vou bater a sua cara no esterco da Filippa se você não parar de ser idiota.

Ele fez uma careta, mas estava visivelmente não preocupado com a minha ameaça, o que era uma pena. Eu também costumava ser mais assustador antes.

- Vamos lá, Jax, dê só uma chance a ela. A Alice pode te surpreender.

Eu o ignorei. Estava cansado de Sebastian achar que a próxima garota que virasse a esquina estava apta a quebrar minha maldição, estava cansado de criar esperanças inúteis quando, evidentemente, não existia nenhuma.

Aquela maldita bruxa tinha acabado com a minha vida, destruído a pessoa... A pessoa que eu amava e se certificado de que eu nunca seria capaz de amar outra vez. De que adianta o beijo do amor verdadeiro ser capaz de quebrar qualquer maldição quando você simplesmente não consegue se importar nem com seu próprio irmão?

Pois é. Eu era uma causa perdida.

- Aonde você vai? – Sebastian perguntou quando comecei a abrir a portinhola da baia de Filippa e puxá-la para fora.

- Sair.

- Jax – sua voz era de pura reprovação. – Você não pode ficar saindo toda noite sem dizer para onde vai. E se...

- Eu sei me defender.

- Eu sei que sabe – ele rosnou entre os dentes em uma de suas raras demonstrações de raiva. – Mas eu não me perdoaria se alguma coisa acontecesse com você, não depois do que fez por mim.

Quando Sebastian disse aquilo, um flash se riscou em minha mente e eu me vi no salão real outra vez. Senti o peso da espada em minhas mãos, senti o sangue quente e viscoso que escorria de minha sobrancelha e pingava em meu olho, fazendo-o arder.

Tinha sangue na lâmina da espada. Ainda estava fresco e o cheiro de ferro e sal inundava minhas narinas. Eu me lembrava da sensação de cortar carne humana, e não era nada agradável. Lembrava os olhos esbugalhados e sem vida do guarda que tinha me carregado nos braços quando eu era um bebê, o guarda que eu mesmo tinha matado.

E tudo por causa dela. Tudo por causa dela.

Sacudi a cabeça, expulsando as lembranças, lançando-as para longe, onde eu sempre as deixava. Lembranças podem dominar vidas e, por mais miserável que a minha fosse, eu ainda não estava pronto para entregá-la de bandeja.

- Preciso me distrair – disse, puxando minha égua da baia e conduzindo-a pelo estábulo. – Vou tentar não me matar, não se preocupe.

Sebastian estava aflito, dava para ver nos olhos dele. Eu queria sentir compaixão, sentir alguma coisa, mas era impossível. Coloquei a mão em meu peito, uma esperança infantil e vã, como todas elas são. É claro que não havia nada ali.

- Só tome cuidado – meu irmão pediu, saindo do meu caminho.

- Vou tomar – respondi querendo, realmente querendo, me importar com ele a ponto de estar falando a verdade.

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