2 - O Meu Mundo Caiu - Summer 2

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   O MEU MUNDO CAIU - PARTE 2

"Pov - Summer - 2"

Eu espero ter ouvido isso errado

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Eu espero ter ouvido isso errado. E, com certeza, ouvi errado. Mamãe deve ter bebido muito vinho de novo.

— Summer, você ouviu o que eu disse? Vamos nos mudar para San Francisco e vamos morar com o seu pai — disse minha mãe. — Eu acho que ela enlouqueceu de vez.

— Você só pode estar contando uma piada de muito mau gosto, né? Ou bebeu muito vinho de novo. — retruquei, totalmente irritada.

— Minha querida, não é piada. Eu decidi tirar um tempo na carreira de atriz porque comecei a refletir sobre o quanto o tempo passou e os erros que cometi.

Segurei o surto quando vi que ela estava falando sério.

— Eu perdi tanto da vida da sua irmã. Tudo isso porque seu pai e eu não soubemos lidar com nossos problemas como adultos.

Eu tava começando a entender onde ela queria chegar.

— Por isso, andei conversando com ele, e acabamos descobrindo que queríamos a mesma coisa.
— Ele também se sente horrível por não ter participado da sua vida. No ano que vem, você vai para a faculdade e será oficialmente adulta. — E o seu pai não fez parte de nada no seu crescimento.

— Assim como eu não acompanhei o crescimento da Rachel, minha própria filha. Por essa razão, eu e o seu pai queremos consertar as coisas com vocês.

Isso é loucura até para alguém como a Cassandra.

Mamãe continuou a falar.

— Estou pedindo uma chance para nós provarmos que podemos ser bons pais para vocês — disse, com a voz totalmente emotiva.

— Eu sei do seu rancor com o seu pai, e a culpa é totalmente nossa por isso. — Mas, filha, essa raiva te faz tão mal, e você sabe disso.

Poxa, ela tá pegando pesado, hein?

— Quero muito que você tenha a oportunidade de se aproximar dele, porque só Deus sabe o quanto um pai faz falta na vida de uma menina.

Eu sabia o porquê ela estava falando isso. Na minha idade, os pais dela já haviam morrido no acidente de carro.

Não consigo imaginar a falta que eles devem fazer a ela.

— Preciso fazer isso também por vocês duas. Você é a única que sabe o quanto me arrependo de nunca ter lutado pela sua irmã. Eu errei com ela e com você, e não tem como mudar isso. — É por esse motivo que preciso consertar as coisas. Preciso que, dessa vez, você me apoie totalmente.

Eu não sabia o que dizer depois de ouvir tudo isso.
Eu estava estática, ouvindo cada palavra.

Sei o quanto mamãe se arrepende de ter rejeitado minha irmã, além de que lembro de como ela ficou mal naquela época.

E o quanto ela gostaria de retomar os laços com ela. Essa era a coisa que mais a machucou na vida.

Embora, com certeza, também tenha machucado muito mais a Rachel.

Mas eu, sinceramente, não sabia se conseguiria perdoar Antony um dia.

E talvez a Rachel também não conseguisse fazer o mesmo com a Cassandra.

Monólogo interno da Cassandra:

Cassandra sabia como poderia ser difícil convencer Summer, embora a garota sempre tivesse sido muito compreensiva em qualquer situação.
Menos quando se tratava do próprio pai. Nunca falava dele, nem com seu psicólogo.
Mas sabia que a filha precisava disso. Ela precisava do pai.

— Filha, sei que o que estou te pedindo é difícil. Para mim também é ficar durante um ano na mesma casa que meu ex-marido; é, no mínimo, desconfortável.

— Mãe eles são praticamente estranhos pra nós. E tenho certeza de que é o mesmo que eles pensam da gente. Você tem certeza de que quer fazer isso? — perguntei, tentando ser compreensiva.

— Tenho certeza como nunca tive na vida, mas pra isso eu preciso da minha parceira de crime preferida, porque eu não vou conseguir fazer isso sem você — terminou de dizer Cassandra.

Aí está a chantagem emocional; esse truque sempre me pega. Mas logo tentei pensar no lado da minha mãe.

Sei o quanto ela precisa desse tempo com a Rachel; ela tem falado tanto disso comigo nos últimos anos.

Até havia começado a tentar conversar com ela nas festas de família ou por telefone, mas sem sucesso.

Nessas horas, eu queria muito ser uma garotinha mimada e egoísta.

Eu deveria dizer não, que minha vida em Los Angeles é tudo o que importa para mim.

Mas não tem nada que minha mãe me peça sorrindo que eu não faça chorando.

Afinal, ela está certa: sem mim, ela não vai conseguir. Do jeito que ela é, assim que chegasse lá e visse o Antony, travaria e voltaria correndo para L.A. na hora.

Então, se eles querem finalmente agir como adultos, ótimo, mas não vou facilitar para o Dr. Campbell.

— Tá, eu topo, mas me explica como fica a minha escola, minhas amigas, nossa casa. O que vamos fazer sobre tudo isso? — disse eu, nem um pouco feliz.

Fui surpreendida com um abraço, cheio de pulos e gritos de felicidade dela.

— Ai, obrigada, obrigada, obrigada, amorzinho! Você é a melhor. — Acho bom ela lembrar disso, porque olha a roubada que ela tá me enfiando.

— Bom, respondendo suas perguntas, em relação à escola, a sua transferência já foi feita, e você vai estudar na mesma escola da sua irmã.

— Quanto às suas amigas, vocês podem se falar por chamada de vídeo e, se quiser, uma ou duas vezes por mês, eu pago a passagem de avião para elas nos visitarem nos fins de semana.

Meu Deus, como eu vou sobreviver sem as meninas? Tá batendo rápido o arrependimento aqui.

— Já a nossa casa vai ficar aos cuidados da tia V. Ela prometeu manter tudo em ordem até voltarmos no ano que vem — terminou de dizer, extremamente animada.

E quanto a mim, bom, não era como se eu estivesse pulando de felicidade; aliás, bem longe disso.

Mas eu era madura o suficiente para entender os motivos dela, só não madura o bastante para perdoar tão facilmente o meu pai.

Além do mais, eu estava chocada que a Cassandra já tinha feito a minha transferência para outra escola, sem nem saber o que eu iria dizer, tipo quando e como ela fez isso.

Óbvio que ela sabia que eu cederia, pois é uma ótima atriz. Sabe, às vezes eu tenho vontade de esganar essa doida.

Graças a isso, em uma semana nos mudaremos pra lá. Tenho que avisar as minhas amigas, já consigo até ver a cena.

Continua no próximo capítulo...

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