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Eu estava em um campo de relva negra. O vento frio cortava a minha pele (isso em tempos de aquecimento global). Aquele lugar me parecia familiar, mas era assustador demais. Estranho! Aquele campo costumava ser verde, com margaridas cantantes e um cheiro gostoso de orvalho da manhã, não aquele cheiro de que alguma coisa estava se decompondo.

Eu já me achava um pouco doida. Mas aquilo ali era demais. Eu só poderia estar batendo o recorde de loucura, para ser capaz de transformar um mundo mágico no lugar mais assustador de todos.

– Annabelle... – uma voz aterrorizante rasgou o silêncio, e me fez arrepiar até o ultimo fio de cabelo.

– Annabelle...

Meu corpo todo congelou. Não pelo frio insuportável que estava fazendo (para aqueles que diziam que a Antártida era gelada não conheciam aquele lugar), mas sim pelo medo.

Olhei em volta varias vezes em busca do dono da voz, ou dona. Sei lá! Era tão assustadora que eu não conseguia distinguir nem o tom da voz.

– Annabelle! – a voz ecoou atrás de mim.

Levei o maior susto da minha vida, quase me borrei inteira.

Olhei para trás, mas não vi nada, a não ser a grama marrom coberta por uma densa nevoa branca.

Ah, mas se eu encontrasse o filho de uma boa mãe que estava tentando me assustar ele iria se ver comigo. Juro que iria.

– Annabelle!

Olhei em volta novamente. Desta vez eu pude ver quem era. Ele estava de pé em meio à neblina. Tinha um cabelo liso loiro que caia-lhe sobre os olhos, olhos alaranjados que pareciam brilhar mais do que o próprio sol.

Tive vontade de me ajoelhar diante dele e reverenciá-lo. O cara parecia um deus, não apenas por ser lindo de morrer, mas pelo poder que emanava dele. Não sei quem esse sujeito era, mas não era fácil encontrar alguém cuja beleza se equiparava a de Richard.

– Annabelle... – a sua voz parecia música pra os meus ouvidos. – Annabelle, venha comigo. – ele me estendeu a sua mão.

Dei um passo em direção a ele, mas uma força invisível pareceu me segurar.

–Annabelle, não! – berrou outra voz.

Caramba! Quantas pessoas naquele lugar sabiam o meu nome?

– Annabelle, venha comigo. – repetiu o cara.

– Annabelle, não faça isso! – protestou o a outra voz, quando eu andei em direção do garoto.

Voltei-me para trás, a fim de ver a quem pertencia à outra voz.

Meu sangue gelou novamente.

Era uma mulher. Não uma mulher qualquer, mas a mesma mulher a que apareceu para mim quando eu fora visitar o cemitério com o meu pai. Ela usava um vestido da época da minha. Seus cabelos tom de noite, estavam em baixo de um capuz o qual me impedia de ver o seu rosto.

– Não vá com ele. – ela sussurrou.

– Por que não? – indaguei a ela.

– Por que ele é perigoso – ela respondeu, em um murmuro.

Encarei o cara novamente. Como alguém tão lindo poderia ser perigoso?

– Venha comigo, Annabelle. – ele disse.

– Annabelle, não! – berrou a mulher.

– Annabelle...

– Annabelle...

Encanto - Trilogia Mística vol 2Leia esta história GRATUITAMENTE!