Primeira: Único

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Eu estava tentando me concentrar no meu trabalho. Eu copiava, copiava e errava. Usava o corretor e continuava. Mas eu não tinha culpa. Ele, ao meu lado, não parecia estar fazendo trabalho algum e eu não estava com coragem de perguntar o que era, não com o professor mais ignorante da escola em sala. Ele sorria e se divertia e parecia estar fazendo um desenho da nossa sala.

Eu dei um suspiro de alivio e me rearrumei na cadeira assim que o professor saiu. Voltei-me a ele e perguntei:

- O que você 'tá fazendo aí?

Ele riu mais abertamente, também mais relaxado com a saída do professor.

- Espera, já 'tô acabando

Concordei com a cabeça, sem opção. Realmente não demorou muito até que o papel estivesse em cima da minha mesa. Ele sorriu, me encorajando a olhar e a mão dele caiu, passando de leve pela minha coxa, sem querer, me fazendo arrepiar. Tinha que me controlar. Ele era lindo? Era. Era gostoso? Era. Tinha o sorriso mais lindo do mundo? Sim. Mas ele era meu amigo... Não era?

Suspirei, olhando pro papel.

Vamos combinar as pessoas? O que você acha dos casais aí? E logo embaixo Beth Liwer e James Hanz.

Urg. O que o Nataniel estava pensando? Pobre Beth, James é horroroso pra ela! Escrevi isso no papel e continuei seguindo as carteiras até que cheguei na minha própria. Meu coração foi a mil quando eu entendi o que ele estava pretendendo.

Nataniel e Clarisse era o que estava escrito ali. Ele era um gênio, eu devia concordar. O que eu escreveria?

Olhei pra ele. Ele sorria, futucando na mochila, preocupado demais em não me encarar. Olhei pra frente, buscando inspiração. Nossa, nem tinha percebido que o professor tinha entrado em sala.

Professores estranhos, eu tinha. Esse, por exemplo, era um amor e... Gay. Ele tinha uma certa... não sei dizer, mas ele cismava com Nate. Algo sobre potencial? Algo assim.

Sacudi a cabeça e voltei ao papel. Não sabia o que escrever, não sabia mesmo. Suspirei.

- Oh, Nataniel! Eu sabia que você era um de nós!

Ahn? Olhei pro lado para ver o Sr. Newton pulando que nem uma beata em dia de milagre e olhando para o Nate. Oh não.

Em cima da mesa dele tinha uma caixa que eu havia emprestado pra irmã dele, alguma coisa sobre a escola. Algo que ele tinha que me devolver. A caixa era muito... feminina, devo dizer. Felpuda e rosa. E com laços vermelhos. Algo bem... Gay.

- Não, não, não - Nate insistiu, acenando firmemente. - Isso é da Lisse!

- Oh, claro. Meus sapatos são da minha irmã - O professor disse.

Prada. Isso era ótimo. Será que ele me emprestaria um dia desses?

- Professor, não... Sério mesmo. - Ele arregalou os olhos e me encarou, assustado. O que ele queria? Que eu pensasse com os olhos castanhos maravilhosos dele em mim?

O sinal do recreio bateu. Fodeu. Eu nem vi quando Nate sumiu do meu lado, O Sr. Newton carregando-o pelo braço para a... Sala dele?

Juntei meu material em uma pilha e coloquei a caixa bem embaixo. Sai correndo da sala, pelos corredores e parei em frente à uma sala específica. Centro de Apoio a Homossexualidade, eu li. Só a minha escola tinha um troço desses. Suspirei. A porta abriu e eu me escondi atrás da planta que tinha ali.

- Eu vou te mostrar uma coisa muito muito... AH! Você vai adorar! - O professor Newton saiu da sala rebolando pateticamente.

Assim que ele sumiu na curva do corredor, eu entrei na sala.

C.A.H.Leia esta história GRATUITAMENTE!