5. Condições Especiais

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I'm waking up
I feel it in my bones

A música era tão alta que eu mal conseguia ouvir meus próprios pensamentos confusos, mas eu deveria estar me divertindo, era meu aniversário, certo?

A verdade era que eu não estava no clima de aparecer naquela comemoração, não depois da bomba que havia sido jogada no meu colo e estava prestes a explodir, mas meus amigos insistiram muito e como eu não lhes disse o motivo de eu querer ficar em casa, eles concluíram que era gayzice e me arrastaram até a boate mais próxima.

Achei que talvez pudesse ser uma boa ideia, afinal. Encher a cara e dar uns pegas em alguma garota bonita e tentar acalmar minha mente embaralhada por ao menos algumas horas de ações intensas e prazerosas.

Então, lá estava eu naquele lugar, a música tocando, meus amigos na pista azarando algumas universitárias... E eu indo ao bar pela trigésima vez pegar mais uma bebida, ainda na esperança que a quantidade de álcool em meu sangue fosse capaz de nublar meus pensamentos. Maldita resistência!

- Ei, barman! – Acenei para o cara, que apenas confirmou com a cabeça.

A gente sabe quando as coisas estão bem fora de controle quando o barman já sabe o que você quer beber sem você ter que pedir. E como as minhas coisas saíram do controle há muito tempo, apenas dois minutos após eu chamá-lo, ele depositou a bebida à minha frente e passou o leitor na marca em minha mão. Por sorte, era meu aniversário e eu teria algum desconto naquilo ali, mas ainda seria uma fortuna.

E minha mente continuava gritando que eu deveria ser um pouco mais responsável agora que eu tinha alguém. Uma pequena garotinha doente.

Todo aquele álcool ainda não me fazia aceitar aquilo de forma decente. Parecia um bocado fora de lugar.

- Ei! – Daniel, um de meus amigos mais próximos, apareceu me dando uma tapa nas costas. – Que tal se divertir?

Revirei os olhos e levantei minha bebida para ele, sacolejando-a um pouco e fazendo derramar um gole inteiro.

- Estou me divertindo muito aqui! – Eu disse, as palavras saindo um pouco embaralhadas. Ao menos para isso a bebida estava servindo.

Daniel me deu um soco no ombro, parecendo realmente incomodado com o meu desânimo. Ele apontou para trás e mesmo com a visão um pouco confusa, eu consegui ver André, meu outro amigão, com três garotas, fazendo um sinal de legal em nossa direção.

- Chega de crise dos trinta, tem uma gatinha que quer te conhecer. – Ele arrancou o copo da minha mão, deixando-o sobre o bar e empurrou-me para sair da cadeira.

Eu fui me arrastando atrás dele até o sofá onde André e as garotas nos aguardavam. A música parecia que ia estourar minha cabeça e as pessoas esbarravam em mim como se eu nem estivesse ali. Talvez eu não estivesse mesmo.

- Essa é Annya. – Daniel apresentou-me. – Ela estuda administração. – Completou, indo se sentar ao lado da garota na ponta direita.

André e a garota ao lado dele começaram a se beijar naquele momento. Era um pouco constrangedor, até.

Sorri amigavelmente para Annya. A garota era bastante bonita, mas eu arriscava que não tinha nem vinte anos. A pele era ligeiramente dourada de sol, os cabelos eram escuros e os olhos tinham um tom de chocolate muito belo... E apenas me lembrou da mulher que eu conhecera no dia anterior. Apertei os olhos e me recordei seu nome: Ana. Sim, aquela das notícias que embaralham sua cabeça.

- Administração, ein? – Eu questionei, sentando-me ao lado da garota, sem saber o que diabos eu poderia falar com ela.

A garota sorriu simpaticamente e parecia que sabia exatamente com o que eu trabalhava, porque começou um monologo extremamente irritante sobre toda a minha rotina no escritório. Sorri para ela enquanto ela falava e soava tão apaixonada quanto eu era, quando cursava minha faculdade. Até eu ver que eu não seria um executivo sênior antes dos trinta. Apenas mais um consultor de negócios medíocre que eu era.

Preciosa [DEGUSTAÇÃO]Leia esta história GRATUITAMENTE!