2. Persistência

Começar do início

- Me dê isso - Lucas retirou o teste de minha mão e eu, finalmente, sai do banheiro, fechando a porta atrás de mim e me encostando-se a ela. - Tem duas linhas azuis. É isso?

Eu apenas sorri enquanto Lavínia deixava o seu queixo cair. Ela se encurvou toda e, então, deu uma série de pulinhos animados.

- ESTAMOS GRÁVIDOS! - Ela comemorou.

Pulei junto com ela só um pouco e Lucas nos encarou por alguns momentos, meio indeciso se devia entrar na brincadeira ou não. Ele achava um pouco estranho, essa relação que eu e Lavínia estávamos propondo-o, mas havia concordado por nossa insistência. Eu tinha certeza que ele ficaria mais tranquilo se eu tivesse aceitado que ele fosse o doador do esperma, mas, mesmo assim, conseguíamos vê-lo cedendo aos poucos.

E foi quando nós o colocamos para ouvir o coração do bebê que ele parou de ficar tão receoso com tudo. Ele chorou na ultrassom. Passou a participar cada vez mais e quando nós descobrimos que era uma menina - e não um menino como Lavínia insistia tão frequentemente - ele chegou na minha casa com dois baldes de tinta rosa para decorar o quarto dela.

E, então, eu lhe disse o nome dela e ele revirou os olhos e foi embora. Voltou meia hora depois com dois baldes de tinta azul. Porque Safira deveria ter um quarto azul.

Lucas e Lavínia fizeram todas as minhas vontades na gravidez. Eu praticamente me mudei para a casa dos dois e quase não conseguia um tempo que fosse sozinha. Era uma relação estranha, diferente, mas infinitamente boa. Éramos uma família, apesar de tudo.

Eu tinha tudo que queria. Safira ganhou as melhores roupas, os melhores brinquedos, os melhores armários de quarto. Tudo. Não só dos dois - e do meu dinheiro - mas os amigos deles quiseram ajudar de alguma forma. Fizemos um chá de bebê e todos foram extremamente generosos. Eu só pude ser grata.

- Você não vai comer pipoca - Lavínia ralhou comigo.

Fiz bico para ela, que me ofereceu uma salada de frutas. Coisas saudáveis eram tudo o que eu podia comer desde que passara dos sete meses. E leite, muito leite. E eu já estava completando nove meses, minha barriga era maior que uma roda gigante.

Estávamos as duas na cozinha, enquanto Lucas selecionava um filme para assistirmos. Ela preparava pipoca para os dois e eu encostei-me à parede do aposento, mordiscando um pedaço de maçã delicioso que eu encontrara no meio de todas aquelas frutas picadas.

- Se Safira nascer com cara de pipoca, a culpa será inteiramente sua - Eu disse.

Ela riu e tirou a panela no fogo, despejando em uma vasilha de plástico e jogando um pouco de sal. Pegou, então, o refrigerante na geladeira e abriu-o, derramando em um dos copos.

Ao vê-lo derramar, senti algo descendo pelas minhas pernas. Revirei os olhos e estava pronta para anunciar que havia feito xixi nas calças outra vez quando senti um solavanco em minha barriga. Instintivamente, segurei-a com um braço e deixei a outra mão tatear o líquido que escorria pelas minhas pernas nuas do vestido. Não parecia xixi, era... meio gosmento.

Levantei o olhar para Lavínia, que ainda estava distraída com os refrigerantes. Mas ao perceber meus movimentos, ela levantou os olhos para mim. Foram de descontraídos para confusos e então para total pânico.

- Eu acho que minha bolsa estourou - Eu sussurrei.

Foi uma confusão completa, Lavínia e Lucas correndo pela casa atrás de tudo que eles tinham que levar e eu encostadinha na parede, esperando por alguém pra me guiar até o carro enquanto me mantinha respirando como haviam me ensinado. Acabou que os dois entraram no carro sem mim e chegaram a dar partida antes de perceber que eu havia ficado para trás. Lucas retornou até em casa desesperado e me ajudou a chegar até o carro com uma tranquilidade que me assustou.

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