birds of a feather

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Não quero fazer absolutamente nada hoje.

Rosé até tentou me convencer a ir para uma oficina de culinária com ela, e Nayeon me chamou para jogar tênis em uma das quadras, mas eu neguei as duas ofertas. Hoje é um daqueles dias em que eu apenas ficaria debaixo dos cobertores maratonando Game of Thrones ou com a cara enfiada no celular, por mais que não esteja nenhum pouco frio. Acontece que esse acampamento tem essa política anti-sedentarismo ridícula que não me permite fazer o que eu quero nas minhas próprias férias de verão.

Inferno de lugar.

Jimin sumiu cedo, logo após o café da manhã, então não tenho ninguém para me fazer companhia. Tenho certeza de que ele deve ter seguido Jungkook para algum lugar, de toda forma. Decido apenas ir andar um pouco, então. Mas só depois de pegar emprestado um pacote de biscoitos que eu sabia que Rosé tinha escondido em sua mala.

Passo por oficinas diversas ao ar livre e pelo meio de algumas crianças correndo de um lado para o outro com pistolas de brinquedo que disparam projéteis de borracha. Tenho certeza de que algum deles vai acabar caindo mais cedo ou mais tarde.

Como já parece ser algo automático, meus pés acabam me levando para a trilha do bosque.

Ele é tão sereno e inofensivo quando está claro que eu custo a acreditar que é o mesmo lugar onde quase me perdi há algumas noites. Os raios de sol que passam pela copa das árvores ilumina o caminho e me permite enxergar cores que são inexistentes depois do pôr do sol. Até o canto dos pássaros me passa uma sensação calmante.

Inspiro e expiro profundamente, deixando o ar puro da natureza invadir meus pulmões. Preciso confessar que isso é uma coisa da qual sentirei falta quando estiver de volta à poluição de Nova York.

Mas só isso!

Abro o pacote de biscoitos para ter algo para mastigar enquanto caminho, e acabo chegando bem no centro do bosque, no lugar onde eu não vinha desde os primeiros dias, dando de cara com a enorme árvore de folhas vermelhas. O bordo-vermelho.

Aos pés dela, alguns passarinhos coloridos bicam o chão, talvez à procura de materiais para construirem seus ninhos ou talvez buscando o que comer. De toda forma, amasso alguns biscoitos na palma da mão até que eles esfarelem e os jogo no chão, perto de onde as pequenas aves estão. Eles logo voam até os farelos, tentando pegar o máximo possível e até mesmo brigando entre si.

- Ei, calma. - Digo, rindo um pouco. - Tem pra todo mundo.

Esfarelo mais alguns biscoitos e jogo para os pássaros, que piam alegremente como se me agradecessem.

- Vocês são fofos. - Suspiro. - Queria poder tirar uma foto, mas a idiota pegou meu celular.

- Ei, também não precisa ofender.

Franzo o cenho ao ouvir a voz familiar tão próxima. Rapidamente, dou a volta na árvore e encontro ninguém mais, ninguém menos, que Lalisa do outro lado, sentada na grama e com as costas apoiadas contra o tronco. Ela levanta a cabeça para me olhar, usando uma mão para proteger os olhos dos raios de sol, e me lança um meio sorriso bem-humorado. Mas eu não vejo qual é a graça.

- Você tá me seguindo? - Pergunto, cruzando os braços. A monitora arqueia uma sobrancelha.

- Olha, eu acho que cheguei aqui primeiro. - O tom de voz dela exala deboche. Ok, talvez ela esteja um pouco certa.

- Hm. - Murmuro. Só para ela saber que não vai ter a última palavra.

Os passarinhos logo aparecem desse lado, e aparentam estar esperando que eu jogue mais farelos para eles. Como Lalisa parece confortável em sua posição sentada na sombra, faço o mesmo que ela, porém me sentando a uma distância segura de uns três palmos de distância dela.

Red Maple Camp // jenlisaOnde histórias criam vida. Descubra agora