Capítulo 18

104 11 1
                                        

POV Narrador

"Hora de voltar a Nova York." Há quanto tempo estavam ali? Uma semana? Pareciam meses. Meses de muitas discussões e sentimentos confusos, que claramente haviam sido ignorados até aquele momento. E então algo apareceu: voltar para casa.

— Melhor irmos fazer as malas. — Hande foi a primeira a se pronunciar após longos segundos de silêncio. Kerem a olhava intensamente. Sua mente rebobinava o que aconteceria se Hadise não os tivesse interrompido. — Kerem?

O olhar compreensivo de Hande mostrava que ela estava presa nos mesmos pensamentos.

— Melhor irmos. — O rapaz concordou finalmente, pronto para dar as costas.

— Bürsin? Sobre o que aconteceu...

— Nós vamos conversar sobre isso, Erçel. Uma conversa franca, como a que tivemos há pouco. Tudo bem?

A morena concordou com um gesto de cabeça e seguiu o fotógrafo. Assim como mais cedo, Kerem assumira o volante, e a jornalista não fez objeções.

Hadise, mais uma vez, tratou de tudo relacionado ao retorno. As passagens estavam sobre a cama de cada um quando chegaram em seus respectivos quartos. O horário do voo estava marcado para as seis da manhã, e não tinham muito tempo; a madrugada chegara sem que percebessem. Hande nem sequer conseguiu dormir, passando as horas remoendo o que acontecera. Lembrou-se então de Kaan, mandou uma mensagem perguntando como ele estava depois de tudo, e dizendo que já voltaria para Nova York.

***

Os funcionários da Brightness se encontraram, em silêncio, no lobby do Le Royal Monceau para fazer o checkout. Ainda em silêncio, dirigiram-se para a saída. O carro os esperava ao lado de fora, pronto para ser devolvido a um funcionário da empresa de aluguel assim que chegassem ao aeroporto.

— Quer dirigir uma última vez? — Kerem lhe estendeu as chaves, após acomodar toda a bagagem no porta-malas. Ele carregava um sorriso tranquilo, e Hande ficou surpresa ao notar que realmente estavam levando a sério a conversa que ainda nem havia acontecido.

— Não. A semana inteira foi o suficiente; é sua vez de aproveitar. — A morena devolveu o sorriso e não esperou uma resposta do fotógrafo. Entrou no carro, descansando a cabeça no encosto do banco. Não ter dormido as poucas horas que teve foi uma péssima escolha; estava exausta.

— Hande?

— Oi? — Respondeu sem olhar para o lado do motorista, que Kerem já ocupava.

— Tudo bem?

— Só estou cansada.

— Deveria mesmo. Esteve em um incêndio há poucas horas. Quase não teve tempo para dormir. Eu... Desculpa. Por não ter dado espaço para isso.

— Estamos em uma realidade paralela? — Riu ainda de olhos fechados. — Nós dois tendo uma conversa civilizada, sem discussões, sem xingamentos, você pedindo desculpas por alguma coisa.

Kerem não respondeu. Olhou para a mulher ao seu lado, serena. Deixou o comentário de Hande no ar e deu partida até o aeroporto.

Teve que acordar a jornalista quando chegaram. Hande estava mesmo cansada. Kerem não deixou de se preocupar; ela esteve inconsciente por conta do acidente no estúdio de Kaan e não havia procurado um médico. Pelo que entendeu, não tinha dormido mais do que algumas poucas horas.

Ela despertou sentindo a mão quente de Kerem afagando seus cabelos e prendeu a respiração com a proximidade dele.

— Chegamos, você apagou.

— É. — Hande afastou a mão de Kerem, que franziu a testa com a frieza repentina da colega de trabalho.

O silêncio entre eles voltou, e permaneceria pelo menos nas próximas doze horas, já que dessa vez não viajariam lado a lado. Estavam a duas poltronas de distância. Hande tentou ver o lado bom da situação; poderia dormir a viagem inteira. E foi o que fez. Já Kerem passou boa parte do tempo pensando em tudo que acontecera nos solos franceses. Estava decidido a não negar o que sentia por Hande; falaria para ela assim que tivessem a tal conversa. Não estava confortável, no entanto; Hande o irritava, o ódio era real, ou foi.

LUSTOnde histórias criam vida. Descubra agora