Capítulo 8

106 13 0
                                        

POV Narrador

Quando Kerem entrou no táxi, logo atrás de Hande, ele sabia que a irritação dela estava à flor da pele. Cada centímetro do corpo dela exalava raiva contida, e, para Kerem, isso só tornava a situação mais divertida. Hande havia perdido a aposta, e ele sabia que, sendo quem era, o orgulho a estava corroendo por dentro.

— Acho que vou mesmo para o inferno depois de te matar! — Hande esbravejou, batendo a porta do táxi com força.

Kerem, sempre provocador, não perdeu a oportunidade.

— De tesão, eu espero — ele retrucou, com um sorriso malicioso. — Aliás, você assim, toda irritada e perdedora, já está me deixando duro.

Hande bufou de raiva, mas por um breve segundo, não pôde negar o brilho caloroso que ele percebeu passar por seus olhos. Mesmo com a fúria estampada no rosto, algo mais profundo vibrava dentro dela.

— Você é um babaca, Bürsin — retrucou, tentando controlar o tom.

Kerem deu de ombros, sem esforço.

— Eu sei — disse, com simplicidade. Havia uma honestidade quase desarmante em suas palavras. Ambos sabiam que ele estava certo, e não havia sentido em fingir o contrário.

O silêncio no táxi foi interrompido pela declaração repentina de Hande:

— Não vou transar com você.

Kerem, pego de surpresa, se virou para ela, com curiosidade no olhar, enquanto passava o endereço do hotel para o taxista.

— Não sabia que você fazia esse tipo — provocou, sem deixar a intensidade de lado.

— Que tipo?

— O tipo que não sabe perder e não cumpre apostas — disse, em um tom sério que sabia que a provocaria ainda mais. Ele a conhecia bem o suficiente para saber que tocar nesse ponto faria a raiva dela crescer.

Hande o encarou, claramente tentando manter a calma, mas ele viu a frustração transbordar em seus olhos.

— Eu tenho palavra! — exclamou, firme.

Kerem manteve o olhar impassível, mas com um sorriso vitorioso nos lábios.

— Então é só cumprir com a sua parte. Você apostou e perdeu. Eu quero o meu pagamento.

O silêncio caiu novamente no táxi, pesado e carregado de tensão. Hande lutava para encontrar uma saída que não ferisse seu orgulho, mas sabia que estava presa na própria teia.

— Por quê? — ela finalmente quebrou o silêncio, com uma pergunta carregada de incerteza.

— Por que o quê?

— Por que você quer transar comigo? Você claramente não me suporta.

Kerem deu de ombros, sem hesitar.

— Nunca escondi que te acho gostosa. Quero experimentar.

A expressão de nojo atravessou o rosto de Hande, mas não conseguiu esconder o rubor que subiu em suas bochechas. A tensão entre os dois era palpável.

— Qual foi, Erçel? Eu sei que você também me acha um gostoso — ele a provocou mais uma vez.

— Não, eu não acho nada! — ela protestou, teimosa, desviando o olhar para a janela, tentando afastar o desconforto.

Quando o táxi parou em frente ao hotel, Kerem foi o primeiro a sair, não perdendo a chance de mais uma provocação.

— Já que você perdeu a aposta, paga o táxi.

LUSTOnde histórias criam vida. Descubra agora