Capítulo 6

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Kerem Bürsin

Eu me remexi na cama da suíte, incapaz de encontrar uma posição confortável. Desde garoto, nunca consegui dormir direito em camas que não fossem a minha. Lençóis de hotel têm um cheiro impessoal, artificial. Prefiro o aroma familiar da minha própria cama, a textura das minhas fronhas. Algo que sei que é meu, meu refúgio, meu lar.

— Mas que m... — Minha voz ficou presa na garganta quando percebi o motivo da minha imobilidade. Ou melhor, quem estava me imobilizando.

Hande estava deitada sobre o meu peito, respirando tranquilamente. Eu poderia ter achado aquilo irritante, mas o jeito como o lábio inferior dela se curvava em um leve bico enquanto dormia era surpreendentemente fofo. Dormindo, ela parecia menos demoníaca. Fiz um esforço cuidadoso para afastá-la, mas hesitei, temendo que ela acordasse e começasse a me chutar só por estarmos nessa posição.

Tentei mais uma vez movê-la, mas Hande, como que por reflexo, apertou ainda mais o braço em torno do meu tronco. Confesso que aquela sensação, por mais estranha que fosse, era agradavelmente reconfortante. O cabelo dela estava espalhado sobre o meu peito, e a proximidade trazia um calor inesperado. Imagina só se isso tivesse sido depois de uma noite de sexo selvagem... Aposto que Hande seria incrível na cama, com seus olhos castanhos queimando de desejo, os lábios macios e rosados me proporcionando... Bom, a ideia que me passou pela cabeça foi o suficiente para causar uma reação bem física. Droga.

Ela se remexeu um pouco, e eu me mantive imóvel. Uma parte de mim queria aproveitar o momento, uma chance de estar um passo à frente daquela morena infernal. Sorri com a ideia que surgiu.

— Sorria, diaba. — Murmurei para mim mesmo, pegando o celular e apontando a câmera para nós. Fiz questão de exibir aquele sorriso de cafajeste que ela tanto odiava, arqueando uma sobrancelha.

O flash iluminou o quarto, e por um segundo, Hande resmungou algo desconexo. Congelei, prendendo a respiração, esperando que ela não acordasse. Se isso acontecesse, o caos estava garantido.

Finalmente, ela se mexeu de novo, dessa vez rolando para longe, para o outro lado da cama. Eu soltei o ar em alívio. Longe dos meus braços, longe do perfume dela, e, mais importante, longe da tempestade que certamente viria se ela acordasse nos encontrando assim.

Por enquanto, estava a salvo.

Acabei caindo no sono novamente e acordei um pouco mais tarde e sozinho no quarto, e por um breve momento, me perguntei se a noite anterior tinha sido um sonho. Mas não. Hande tinha mesmo dormido ao meu lado, e agora, o quarto estava vazio. Ela já tinha saído. Sorri de canto ao lembrar de como ela adormeceu sobre meu peito, mesmo depois de toda a resistência.

Levantei-me, tomei um banho rápido e desci para o café da manhã. O hotel estava movimentado, mas era cedo o suficiente para não encontrar muitos rostos conhecidos. Ao chegar no restaurante, a vi sentada sozinha em uma das mesas ao canto. Um sorriso presunçoso tomou conta de mim. E é claro que eu não perderia a oportunidade de provocá-la.

— Bom dia, Erçel — cumprimentei com meu típico sorriso de lado, aproximando-me da mesa em que Hande estava.

— Você está brincando, né? — ela perguntou, arqueando uma sobrancelha ao me ver sentando à sua frente. — Com essa quantidade de mesas vagas, você vai se sentar logo aqui?

— Ihh, Miyy — usei o apelido que Gamze sempre a chama, sabendo que a irritaria. — Nem parece que dormiu maravilhosamente bem! — pisquei para ela, que bufou irritada.

— Maravilhosamente bem? — Hande repetiu com ironia. — A noite foi horrível. — Ela elevou a voz, claramente se esforçando para parecer mais irritada do que realmente estava. — Eu poderia ter uma cama de casal só para mim, mas tive que dividi-la com um sádico repulsivo. — Torceu o nariz para mim, enquanto eu relaxava os ombros.

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