Quanto mais eu queria que aquilo parasse de tocar, mas alto ficava. Suspirei irritada, virando para o lado, desligando a droga do despertador que me avisava, "acorde vadia, e vá se arrumar". Uma vez que estava desligado, olhei para o teto branco analisando as desculpas que eu poderia dar à minha mãe, queria ficar em casa, mas tinha um compromisso com a prisão, também conhecida como escola. Porém, minhas esperanças foram aniquiladas quando lembrei da prova de história. Droga.

"Ah, que saco." Disse me levantando da cama, ou melhor, me arrastando para fora dela em direção ao banheiro que ficava em meu quarto.

Depois de um rápido banho frio, que pensei que ajudaria o sono passar, o que não aconteceu, pois agora estou com sono e com frio, peguei uma calça jeans escura e uma blusa navy, que ia até meus pulsos e uma sapatilha vermelha. Arrumei meus cabelos loiros acinzentados com meu típico rabo de cavalo, deixando minha franja solta. Peguei minha bolsa, e sai do meu quarto para mais um dia naquela maldita escola.

O único motivo para eu não enlouquecer naquele lugar, era minha melhor amiga, Sidney. E o principal motivo para a escola ser um inferno, era Henry, meu ex-melhor amigo, que só faz uma coisa na vida, implicar comigo, fazendo piadinhas de mau gosto, bagunçando meu cabelo e me atrapalhando nas horas mais inoportunas. Até o primário éramos amigos inseparáveis, mas quando começamos o secundário, ele mudou, parou de falar comigo, se afastou de tudo que estava relacionado a mim, nunca entendi o porque, e sinceramente, depois de tudo, não quero saber.

Minha mãe estava na cozinha conversando com meu pai e meu irmão, comi rápido o café da amanhã e me despedi deles logo que terminei. Eu tinha que andar três quarteirões até chegar ao ponto de ônibus. Sai de casa apertando o passo, não podia chegar atrasada. Já teria que ficar uma hora na detenção depois da escola, graças a Henry, é claro, e não queria ficar mais um pouco só porque cheguei tarde. Fazer aquele trajeto todo dia era cansativo, mas como meus pais não queriam me dar um carro, eu não tinha outra alternativa a não ser andar tudo isso. Já estava virando o segundo quarteirão, quando à frente vi um homem sentado no chão, descalço, seu cabelo grisalho estava bagunçado, suas roupas estavam sujas e ele parecia com frio. Ele estava com a mão estendida a espera de que uma boa alma lhe desse alguns trocados. Seria meio difícil ele receber alguma coisa, já que não havia ninguém, além de mim ali. Remexi minha bolsa à procura de uns trocados, não tinha muito, mas o pouco talvez o ajudasse de alguma maneira. Me aproximei, colocando as moedas em sua mão. Ele me lançou um olhar esperançoso, apenas sorri, já estava retomando meu caminho até o ponto, quando ele segurou meu braço me fazendo olha-lo.

"Eu preciso de sua ajuda." Falou o senhor com uma voz doce e baixinha. Aquela voz não deveria ser dele. Era uma voz jovem e calmante, bem, nem tanto já que ele estava segurando meu braço de uma maneira que eu não conseguia soltar.

"Me desculpe, não tenho mais dinheiro." Disse tentando me soltar de seu aperto. Na verdade, eu tinha, mas seu lhe desse esse dinheiro, nunca chegaria na escola a tempo.

"Melinda Johnson, eu preciso de sua ajuda." Disse o senhor, me deixando apavorada.

"Me solte, por favor," eu disse gritando. "Como você sabe meu nome?" perguntei, mas ele não respondeu, o olhar que me lançava era assustador, mas indecifrável. "Você está me machucando," E então, quando ele percebeu o que estava fazendo e afrouxou seu aperto, me soltei e corri dali o mais rápido que consegui.

Cheguei ao ponto ofegante, estava suando frio. Quem era aquele homem? Seja quem for, me assustou para valer. Não demorou muito para o ônibus chegar, ainda abalada, entrei e sentei no fundo, não conseguia parar de pensar em como ele sabia meu nome. Quando o ônibus passou pelo lugar em que tive meu estranho encontro, fiquei em choque, o homem não estava lá, e nem qualquer evidência de que alguma vez esteve.

"Estou delirando?"


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