Um mês depois
Meus dedos estavam tão doloridos que os mover me fazia gemer.
Precisava parar. Agora, mas o vestido não ficaria pronto a tempo se não o fizesse e precisava fazê-lo perfeito.
Mesmo às custas da movimentação das minhas mãos.
Era um fim de tarde escuro e frio. A Inglaterra tinha aquele ar sombrio e antigo, cheirando a fuligem e floresta. Nunca fiquei realmente acostumada. Mas, naquela casa, o cheiro era muito mais que esse.
Naquele mês, tudo mudou drasticamente. Eles cumpriram a promessa. Estava vivendo uma vida quase normal, sem ameaças, jogos ou dramas. Meus mensageiros estavam me dando uma trégua, e apenas tive que fingir um pouco e sorrir em algumas ligações. Era assustador. Fingir. Não fingir. Ter paz. Não ter paz. Mas, o giro em minha vida me deixava zonza.
Agora, o ar cheirava a algo salgado e gostoso, o que significava que Conrad estava cozinhando. Mas, às vezes, a noite, a brisa me trazia o cheiro de incenso, junto à melodia de uma flauta de Viktor, como também o cheiro de pneu queimado, suor e sangue, nas madrugadas de Killian.
Iscas, se fosse parar para pensar. Convidativas, me convencendo a descer e olhar. Conversar. Me interessava, mas não era assim que funcionava.
Havíamos entrado numa espécie de rotina, o que era estranhamente reconfortante.
Acordava cedo e malhava na academia particular da casa, antes de me arrumar para as aulas.
Nós sempre tomávamos café, juntos, uma exigência de Conrad, e ele sempre me trazia cafeína pura, uma exigência minha, para sua hora do chá. E, cara, eles adoravam essa merda. Conrad vivia à base disso, e pior, frequentemente adicionava leite à mistura. E como se não fosse o suficiente, Viktor honrava seus ancestrais ou algo assim com mais da bebida, ainda que os dele fossem naturais. Apenas Killian bebia cafeína como uma pessoa normal, mas comia tantas calorias com bacon e ovos todos os dias, que não sabia como havia conquistado aqueles músculos. E francamente, não era nem a metade da estranheza deles. Após o café, algum deles sempre me levava para as aulas, e claro, todos estavam cochichando por aí. Principalmente, depois de Viktor ter entrado no grupo de mecânica e biologia. Não esperaria nada disso, ele é um gênio da arte, afinal, mas o garoto era estupidamente bom em tudo. E todos o amavam, com a força de mil sóis.
Depois das aulas, voltava com algum dos seguranças, com Linda ou um dos garotos, e almoçava. Sempre tinha comida quente esperando por mim, igualmente a qualquer coisa que precisasse. Eles refizeram meu ateliê. Marie tinha seu próprio quarto, junto ao Príncipe Charles, que por acaso era o melhor amigo da minha gata. Tecidos das melhores qualidades e cortes chegavam semanalmente, e nem vovó poderia comprá-los com tanta frequência. Os mensageiros eram podres de ricos, mesmo enquanto gastava horrores no cartão Black de Conrad, apenas porque nunca tive um antes.
Por último, jantávamos juntos também, apenas por hábito. Era estranho no início, mas depois de um mês já estava me acostumando. E depois, quando eles acabavam, era que começava as coisas interessantes.
Entenda algo, não era idiota. Eles me deram um lar e tudo mais, porém, se algo, era precavida. E tinha certeza de que todos eles estavam me escondendo alguma coisa, ainda que tivessem me trazido provas do envolvimento da minha família com a máfia. O que foi chocante, se quer saber. Mesmo sem provas significativas deles estarem ligados com os atentados. Então, ainda não havia visitado vovó nem visto meus pais, mas Brenan veio me ver e saímos com Conrad, Linda e Michael.
VOCÊ ESTÁ LENDO
REIS DO IMPÉRIO
Short StoryMinha vida é um abatedouro. E eu? Sou o prato principal. Chanel Campbell está encrencada. A bela garota presenciou algo que não deveria, e agora precisa correr. Viktor Watanabe. Conrad King. Killian Sawyer. Eles são os reis da cidade. Da Univers...
