08: PRÍNCIPE CAÍDO

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De todas as pessoas do universo, para uma garota quebrada esbarrar num momento caótico em que lágrimas estão sendo derramadas a força e pedaços sangrentos de seu coração estão por toda o lado, encontrar a mãe de um dos causadores da sua queda está fora de questão.

Feito isso? Some 1 + 1.

Dará o resultado da confusão que me meti.

Detesto tanto fingir. É cansativo, maléfico, e me torna fútil e superficial. E falando sério, só gostaria de ficar um maldito minuto em paz antes de voltar para minha nova realidade.

O que, claramente, não vai rolar.

Royal College é renomada e cheia de ricos e todo o resto, eu inclusa, mas os ingleses fazem mais que só matricular seus filhos.

Eles estão presentes na vida deles.

Ou talvez seja apenas os meus pais que não estão.

Passando pela cafeteria, ansiava por um café, e enquanto enxugava meus olhos, uma mão morena com unhas redondas e de um tom escuro de verde, me balançou, para que ficasse cara a cara com uma das mulheres mais lindas do mundo.

E que definitivamente não estava preparada para ver.

Existem mulheres bonitas, lindas e estonteantes.

E existe Megan Sawyer.

Porque, sim, o sobrenome dos seus filhos veio dela. Da grandeza que ela é.

Seus olhos, azuis como o céu na penumbra, buscam os meus com alegria e seu sorriso, único e lindo, faz meu estômago girar. Junte isso a ser alta como uma estrela, magra como uma bailarina clássica, cabelos sedosos e escuros e um talento nato no rosto que não parece ter mais de 30 anos e terá a maior modelo que já pisou na Inglaterra.

E mãe de dois.

Infelizmente.

— Chanel! — Megan me abraça, perfume caro, e maternidade pingando dela. Porque, sim, ela é perfeita. Em todos os sentidos e falando sério, me derreto no abraço mais necessitado que já tive em meses, surpresa por encontrá-la aqui e confusa pelo modo tão patético que me sinto melhor imediatamente em seus braços. — Ah, querida, que surpresa boa te encontrar aqui! — Se afasta e tento colocar um sorriso no rosto. Falho. Então tento novamente. — Como você está? Tem tempo para um café? Estava com tanta saudade! — Cantarola com o sotaque americano perfeito. Seus olhos astutos me perseguem e tento reprimir o que ela está vendo.

 Imediatamente.

— Meg. Que bom te encontrar! Já faz um tempo não é? — Sorrio amarelo, peço um café preto e desvio o olhar da modelo, tudo ao mesmo tempo. Porque ela é linda. E seu filho mais velho é tão lindo quanto ela. A beleza de um assassino. — Como vai? Desculpe, não posso conversar muito e...

— Besteira, amorzinho! Venha cá comigo, sim? Estou aqui para ver meus filhos, mas eles são todos ingratos e não descobriram que a mamãe está aqui. E veja, estou com Elisa. Venha, venha, você vai se sentar conosco, nossa garota favorita!

Sou arrastada para uma área VIP, antes que possa dizer mais alguma coisa. E antes que possa formular que Elisa King também está aqui. Como, a mãe de King.

Ah, não.

— Lisa, olhe só quem encontrei! — Megan é energética e alegre, diferente de todos os seus filhos. Michael era sempre gentil e tímido. Killian é o que próprio nome diz. Matador. — Nossa Chanel! E ela está aqui para nós.

Reprimo a vontade de correr.

Elisa, olha para mim e sorri contida, mais feliz. Elas são tão diferentes. Enquanto a beleza de Megan é tudo sobre olhos marcados e EUA, Elisa é uma lady inglesa. Olhos verdes e mais claros que os dos filhos. Cabelo loiro pálido e cortado curto em um penteado cheio de cachos. Pequena e delicada. Suave como uma flor.

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