52. Palavras Insuficientes

1.1K 36 0

Dalila não demorou muito a ir embora. Ia sair com Nestor.

Perguntei a Michele se ela queria ir a algum lado, mas ela disse que estava demasiado cansada de todas as compras que fez.

- Pedimos comida? - questionei, sem resposta. - Apetece-te algo, em especial? 

- Pizza. - gritou da casa-de-banho.

- Vou buscar, nesse caso, está bem? 

Outra vez sem resposta. Supus que fosse um sim.

Saí do hotel e procurei a pizzaria da rua, pela qual já tinha passado umas vezes. Esquecera-me de perguntar o que ela gostava, então pedi uma grande, mais simples. Cheirava tão bem...

Voltei para o hotel e entrei no quarto.

- Michele? Não sabia do que gostavas, então trouxe uma simples... Tudo bem? - perguntei, um pouco alto, pois não a via... 

Continuei a andar e vi o seu esbelto corpo virado de costas para mim, perto da cama, despido e olhando para a janela que mostrava o céu escuro e iluminado com pequenos pontinhos de luz.

- Porque é que estás nua, em frente da janela para toda a gente te ver? - perguntei num tom resmungão, por muito que gostasse de a ver desprovida de roupa.

- Porquê? Não te excita? - perguntou numa voz secreta, virando a sua face de lado, sem olhar para mim. Voltou a olhar pela janela.

- O quê? - perguntei, surpreso com as suas reações.

- Não te excita? - voltou a perguntar, mantendo-se completamente imóvel.

Aproximei-me dela, silencioso e calmo, pondo a caixa de pizza numa mesa pequena.

- Claro que me excita. - disse, agarrando suavemente nos seus ombros, descendo as mãos pelos seus braços, seguido de pequenos beijos soltos pela sua pele. Voltei a subir com a minha boca a tentar o seu corpo. - Tudo em ti me excita. - sussurrei perto do seu ouvido. Ela arrepiou-se e essa foi a minha deixa para a virar e entregar-me aos seus lábios, sempre tão sedutores.

Beijei-a, de modo selvagem, como se nunca quisesse parar de a beijar. "Beijar", beijar não era palavra suficiente. "Beijar" não era palavra suficiente de modo algum. Eu não queria beijá-la. Eu queria possuí-la. Queria-a tão em mim, como ela me queria nela. Eu não queria beijá-la. "Beijá-la" não era palavra suficiente. Queria uma fusão. Uma entrega completa. De corpos, de almas. Eu queria-a. Queria-a tanto... E mesmo assim, "tanto" não era palavra suficiente.

Ela espalhava beijos leves por mim, descendo até ao meu membro. Percorreu-o com a sua língua sempre tão ágil e chupou-o. Eu saboreava a sua boca. Cada pedaço dela. Aquela boca tão pecaminosa. Aquela boca tão minha.

Afastei-a, quando me vim. A sua boca estava húmida e o meu líquido escorria por ela... Pela sua face, pelo seu pescoço... Michele era sempre mais bonita molhada...

Levantei-a pelos cabelos, virei-a e empurrei-a para a cama. Ela apoiou-se nos braços, ficando na posição de "quatro".

Eu fui para trás dela e saboreei o seu sexo. Michele gemia. Eu lambia-a, chupava, provocava... "Penetrei-a" com a língua e avancei, rápido e cuidadoso. Ela gemia mais alto.

Ela veio-se e eu deitei-me a seu lado, beijando-a.

- Posso ser eu a comandar? - perguntou, voltando a deixar-me surpreso com o seu rosto de rapariga perdida...

- Podes... - afirmei, receoso.

Ela levantou-se e foi a um dos sacos que trouxe à tarde buscar algo que não vi.

- Fica quieto, sim? - disse, chegando ao pé de mim e fechando-me os olhos com a mão que não agarrava a "surpresa".

Tinha de admitir. Estava com medo. Gosto de vitimizar, agora ser vitimizado é outra coisa.

Ela levantou-me a cabeça e vendou-me. Beijou-me e deixou dois dedos na minha boca, para depois a abrir, tapando-a com um lenço posteriormente. De seguida, agarrou-me nos braços e algemou-me.

Senti o seu corpo em cima do meu. Inclinou-se para o meu ouvido:

- Gosto de te ver impotente. - sussurrou com uma voz provocante.

Mordeu-me o lóbulo da orelha e atiçou-me com beijos pelo corpo inteiro. 

Voltou ao meu membro e masturbou-me. Ouvi-a a gemer, por isso, com certeza, estava a masturbar-se simultaneamente. Parou e voltou a subir para cima de mim. Retirou-me o lenço da boca e pôs-se em cima de mim.

- Lambe - ordenou.

Eu obedeci. Cego, mas sentindo cada vibração que emanava dela. Orientava-me através disso. Ela estava cada vez mais molhada, tremia cada vez mais... Sentia que ela estava quase lá e...

- Pára. - ordenou.

Saiu de cima de mim e montou-me. Rápida e eficiente. Os seus braços apoiados em redor da minha cabeça, os seus cabelos rodavam pela minha pele. Sentia os seus seios no meu peito, quando ela chegava mais perto de mim. Ambos nos vimos. Michele pousou a sua cabeça no meu peito. Respirava com dificuldade, mas ria-se, o que fazia com que fosse ainda mais difícil respirar normalmente. 

- Queres libertar-me ou... ? 

- Ah, desculpa. - disse, voltando a rir-se.

Retirou-me as algemas e a venda. Voltei a ver a minha deusa. O rubor tinha atacado as suas maçãs de rosto. Parecia tão jovem e tão... livre.

Beijei-a. Mas, mais uma vez, "beijar" não era palavra suficiente.

- Sabes que vais ser castigada na próxima vez, não sabes? 

Ela riu-se:

- Suponho que sim.

- Não te rias, vais sofrer. E olha que sofrer não é palavra suficiente.- disse, sério. Vi uma expressão assustada passar pela sua face. - A tua sorte é que eu te amo. 

- Eu também te amo. Muito.

- Amo-te é palavra suficiente?

- Não sei, mas tu és suficiente. - declarou, voltando a beijar-me. - Davi, nunca há palavras suficientes. Palavras não quantificam, nós é que quantificamos as palavras... E eu amo-te. Para mim é suficiente, para ti é? 

- Claro que é. - respondi, sorrindo. - Suficiente não vai ser o teu castigo amanhã. - declarei, soltando o meu sorriso mau.

Ai, ela ia sofrer. 



Amor, Sexo, Magia #Wattys2016Leia esta história GRATUITAMENTE!