Capítulo 17

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  23h00min

Park apoiou a cabeça na coxa de Johnny tentando esquecer-se de tudo que havia acontecido naquele dia. Precisava se acalmar. Jungkook havia surtado como imaginava, e discutiram por longos minutos que pareceram séculos. Ele não havia aceitado o fato que talvez fosse ser pai, de sua boca palavras horríveis saíram, palavras que nunca imaginou que existiam.
Ele mandou abortar, mas ela não aceitou, iria ser presa caso o fizesse. Não se sentia mais protegida ao lado dele, ele deixou claro que faria de tudo para a criança não nascer, lhe ameaçou de morte caso surgisse com essa criança nos braços.

Sentia-se sem apoio, ela também era contra a gravidez, mas não tinha coragem o suficiente para abortar, estaria impedindo o começo de uma vida e sempre escutou desde criança o quanto era errado o aborto, sua mãe era um exemplo disso...

(...) Vinte e três anos atrás...

Agarraram seu pescoço com fúria, estava com medo do que aquele homem a sua frente poderia ser capaz de fazer com seu bebê. Eles haviam se envolvido fazia apenas um ano, agora eram inimigos.

Os olhos castanhos a sua frente representavam fúria e ódio, tinha medo do que o filho de Joonhon Silva pudesse se tornar, ele tinha apenas seis anos de vida, mas já tinha certeza de quem seria o próximo dono da máfia de Silva.

– Eu mandei você abortar!

rosnou entre os dentes.

– Não vou abortar uma vida!

respondeu firme.

– Ela não tem culpa do que você é seu filho também não, mas o colocou no mundo do crime!

– Não o envolva nisso, sabe que ele não tem o meu sangue.

soltou seu pescoço.

– Ou você aborta essa garota ou eu mesmo faço isso!

seu tom era de ameaça.

– Pode esquecer, não vou mais seguir suas ordens, já foi um erro se envolver com você, tenho pena do...

– Não diga o nome do futuro chefe da máfia Silva!

gritou.

– Ele é uma criança.

pronunciou com uma lágrima no olhar.

– Tem uma vida pela frente.

– Deve ficar atenta, sua filha pode entrar no seu caminho e isso não resultaria um resultado muito agradável.

disse derrubando-a no chão lhe abandonando no local escuro e sombrio.

Uma dor em sua barriga se formou, era insuportável, ele havia conseguido tirar sua filha, suas lágrimas rolaram molhando o asfalto. Sua calça jeans ficou molhada, estava perdendo o bebê, mas o que poderia fazer? Não tinha ninguém por perto para ajudar.
Até um par de braços a envolver lhe tirando do chão frio. Abriu os olhos observando a figura de Joonhon parecendo desesperado.

– O que faz aqui?

perguntou se preparando para o pior.

– Voltei atrás... Pensei melhor, e acho que essa criança não tem culpa do que sentimos.

respondeu colocando ela dentro do carro. 

– Eu vou assumir.

selou seus lábios com o dela assim nascendo minutos depois no hospital Park Jimina.

Queria ter optado em não conhecer seu pai, afinal ele voltou para o mundo do crime assim que tinha dez anos, que foi quando seu filho já com dezesseis decidiu que iria largar a máfia do pai, para seguir caminho em outro lugar.

Não conhecia seu irmão e não queria conhecer já que ele só lhe faria sofrer. Segundo sua mãe ele era a cópia viva de Joonhon, só mudava por alguns traços, mas segundo ela, o filho era pior que o pai, havia se tornado um homem frio, agressivo, rude. Ligando os fatos, ele se parecia com Jeon Jungkook.

Seu pai de verdade era um mafioso, mas o que resolvia negócios de trabalho em Londres era o de sua irmã, que no caso estava casado com sua mãe agora e cuidou de Jimina como se fosse filha de sangue.
Na realidade o nome "Silva" foi tirado de seu nome por vontade própria, ficando apenas com Jimina que pertencia a sua mãe.

                               ***

Domingo, 01 de novembro de 2015. 00h30min.

Jungkook se jogou na cama com um cigarro em mãos. Não usava drogas, mas algo dizia que naquele momento necessitava mais do que tudo no mundo. Não se conformava que iria ser pai, não queria e se culpava por tudo. Se tivesse usado o preservativo desde o início, nada disso estaria acontecendo, mas não, teimoso como sempre optou em deixar tudo para o lado investindo apenas nas pílulas que ela dizia tomar.

Abaixou a cabeça encarando o concreto da janela, segurou o cigarro entre os dedos refletindo sobre as palavras duras que saíram de sua boca. Tinha exagerado, mas não queria mostrar que sentia culpa por tudo, Park não merecia nada do que estava acontecendo e sabia que iria precisar de ajuda até o parto, ele serviria como esse "ajudante", mas não queria...

Sua atenção foi chamada para o lado de fora onde um carro acabara de parar em frente a seu prédio, observou os integrantes: Park e Johnny.

Algo forte atingiu seu corpo, após observá-la era um desejo maior que seu ego, precisava tê-la novamente em seus braços, mas como? Como depois da briga que tiveram?
Estava decidido do que faria a seguir... Jogou o cigarro pela janela, saindo de seu quarto andando em passos rápidos até o dela, iria fazer uma surpresa e diria algumas palavras que estavam difíceis de serem engolidas.

Nota da autora

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Bjsss da Myyyy

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