Capítulo 2

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22h15min

Parou o carro no estacionamento privado observando tudo ao seu redor, o tempo de chuva estava perto, mas seus pensamentos estavam longe... Sua mãe estava internada fazia alguns dias com o começo de leucemia, seu "pai" estava resolvendo problemas de trabalho em Londres e ficou sozinha em Busan apenas com a companhia de Spike, que era o único com quem poderia contar.

Mordeu a unha de seu dedo indicador com um olhar perdido. Pensava na proposta absurda que tinham lhe proposto, era loucura, mas aquele dinheiro poderia ajudar muito em seus problemas. O som de Spike ao seu lado, choramingando, foi o suficiente para sair de seu estado de dúvida.

- Que foi?

pronunciou observando o brilho no olhar de seu amigo.

- Você é o único amigo que eu tenho, sabia?

passou a mão na cabeça dele que retribuiu se apoiando em sua perna lambendo sua face.

- Isso foi um beijo?

alargou um sorriso.

- Vem, vamos visitar o Stefan.

abriu a porta pisando no chão úmido por causa da fina chuva que caía.

Observou Spike ainda dentro da viatura no banco do passageiro.

- Vamos?

bateu em sua coxa, visualizando-o sair, partindo correndo para a porta do canil onde latidos surgiram em questões de segundos.

Empurrou a porta ouvindo o som do sino soando na sala. Pessoas estavam sentadas no sofá com suas mascotes do lado, eram famílias, algo que Park não tinha há muito tempo.

- Tenente Jimina!

um dos homens da sala pronunciou.

- Veio finalmente abandonar o Spike?

perguntou rindo.

- Muito engraçado da sua parte Kenny, mas eu e Spike só estamos de passagem.

explicou para seu parceiro de trabalho.

- Tenho certeza que ele iria se adaptar ao lugar, justo agora que você vai partir para Seul, não é mesmo?

provocou.

- Olha, não tenho culpa por seu cachorro, Beethoven, ter morrido no incêndio mês passado.

estava calma.

Sentou-se no sofá isolado com Spike ao lado, deitado com a cabeça apoiada em sua coxa.

- Foi um acidente...

Kenny se pronunciou sentindo dor por se lembrar de seu amigo.

- Spike não tem culpa. Por isso não entendo seu interesse por ele.

interrompeu observando Stefan surgir atrás do balcão.

- Olá Park, o que lhe traz aqui?

perguntou com um sorriso simpático.

- Vim ver a Sally, fiquei sabendo do acidente. Ela é a mãe do Spike e... Você sabe... Eu preciso vê-la.

levantou-se seguindo para o balcão.

- Na sala 12.

informou.

- Vamos Spike.

lançou um aceno de cabeça para o homem antes de seguir pelo corredor.

Abriu a porta de número 12, avistando Sally deitada em cima de uma mesa metálica com alguns aparelhos ligados em seu corpo. Sentia-se culpada por não ter deixado Spike substituir o lugar daquela simples e velha cadela, teria sido um impacto menor, ele saberia se defender dos bandidos e não acabaria com uma bala alojada no crânio.

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