02: ECOS DO PASSADO

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Tenho traumas escondidos dentro de mim.

E alguns, são bem mais complicados que outros.

Como herdeira de uma fortuna milionária e com pais ricos, mas superficiais, é de imaginar que pequenos acidentes seriam evidentes na vida, mas nada se aprofunda mais em mim, do que o incêndio que aconteceu quando tinha sete anos.

Não me lembro muito da minha vida naquela época. Na verdade, não me lembro de quase nada.

Só me recordo de acordar no hospital, onde fiquei por um mês, e de me contarem que estava passando três meses com vovó, numa casa luxuosa, em plena semana de moda, quando a fiação pegou fogo e a casa também, conosco lá dentro. Sei que vovô morreu no incêndio, vovó perdeu toda a sua coleção e eu fique em coma por um mês inteiro, mas isso foi o que me disseram. Minha mente? Branco total.

Passei por médicos e psicólogos por anos, que confirmaram que meu cérebro barrou as memórias daquele verão completamente para minha própria segurança, então provavelmente nunca lembraria dos três meses que passei lá. Depois disso, passamos por um período de luto, vovó se mudou conosco para a Alemanha, e raramente o assunto é mencionado, tanto na nossa família quanto na mídia.

E Killian Sawyer saber tanto sobre aquilo? Fez minha mente sacudir como um acidente de carro.

Não esperei nem por um momento que eles não tivessem cavado meu passado, eles eram psicopatas afinal. Mas o seu tom... A raiva, de sua voz. Parecia pessoal.

Será que vovó conhecia seus pais? Vários aristocratas se empenham na indústria da moda e sua mãe ainda era uma das modelos mais perfeitas e bem pagas do mundo. Não me surpreenderia se isso tivesse impactado sua infância de algum jeito no passado, ou pior, que fosse um meio que o homem achou de ficar sobre a minha pele.

Eles sempre achavam. Era por isso que era tão divertida de perseguir em primeiro lugar. Minha mente. Meu temperamento. Meu passado. Era como sangue na água para os tubarões que eles eram.

E Killian... era o pior deles. Um cão de caça exemplar. Um que não largava o osso, e era exatamente por isso que tinha que dar um ponto final nessa história. O quanto antes. O único problema era, não sabia como.

Me observando através do vidro do carro uma última vez, antes de entrar de braços dados com Brenan na casa dos Larrys, respiro fundo. Tudo bem. Não será hoje, então preciso manter o foco. O disfarce. Mamãe e papai também estão aqui, mas meu único consolo é Brenan. A única razão de vir para essa festa estúpida.

- Chatice sem tamanho. - Meu irmão mais velho cantarola em meu ouvido, enquanto andamos até a casa. Não tinha muitas saudades dos meus pais, mas oficialmente tinha muitas saudades de Brenan. Alto, negro, olhos castanhos e cabelos escuros, meu irmão é uma escultura e minha pessoa favorita no mundo todo. Ele meu protetor. Meu melhor amigo, e aquele que ficou comigo quando me mudei e perdi contato com todos os meus amigos da Alemanha, ou quando ligava chorando, e ele era o único que entendia.

E no fundo, ele era o único que realmente tinha que proteger. Quem sempre me protegeu.

- Não fale assim. É para crianças carentes. - Coloco meu sorriso mais bonito quando as câmeras aparecem e os flashs seguem até nós. - Além disso, você está aqui. Estou tão feliz.

- Também estou, maninha. - Beija meus cabelos, que hoje estão presos em perfeitos cachos, e admira o vestido branco, perfeito em mim. - E está linda. Esse colar fica incrível contra sua pele. Onde comprou?

Bile sube por minha garganta.

- Foi um presente. - Digo. E devo estar louca. Realmente estou usando o colar, embora duvide que meus mensageiros do caos esperem isso de mim. Eu deveria jogá-lo fora? Sim. Se eu  consegui sair sem ele? A resposta repousa sobre minha clavícula. - Você também está lindo. Podemos tomar café da manhã juntos amanhã?

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