Jeongguk em toda sua vida nunca imaginou que se envolver amorosamente com traficante o deixaria em ruínas. Entretanto, permitiu viver essa experiência uma única vez na vida.
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Estoura o instinto, entope o nariz, e o desgraçado vai lamber o chão quando você mandar.
Kim Taehyung
🏥💦🏥
Algumas manhãs já nascem fodidas antes mesmo de você abrir os olhos. E hoje era uma dessas.
A claridade da janela não me trazia promessa nenhuma. Só lembrava o quanto eu odiava a luz que escorria por essas persianas baratas, desenhando listras no chão do quarto como se fosse a barra de uma prisão. Levantei do colchão duro, os pés afundando no chão gelado, e por um segundo desejei que o corpo inteiro não respondesse. Seria fácil: fechar os olhos, deixar a merda do dia engolir sozinho quem tivesse que engolir. Mas eu nunca tive essa sorte. Nunca fui o tipo de homem abençoado pela covardia de simplesmente desistir.
O scrub verde, amarrotado, já estava jogado sobre a cadeira desde a noite anterior. O jaleco branco, a porra da minha "armadura". Armadura rachada, furada, ridícula. Quem nunca sangrou de verdade acredita em armaduras. Eu sabia melhor. Eu vestia a merda do jaleco e cada vez que o tecido pesava sobre meus ombros, lembrava mais uma vez que era só pano. Pano manchado de suor, sangue, vômito e às vezes lágrimas que eu fingia que não eram minhas. Passei a mão pelo rosto, sentindo a aspereza da barba malfeita. Eu nunca acordava inteiro. Sempre um pedaço de mim ficava preso na noite anterior. Nas urgências que eu não conseguia resolver, nas vozes que gritavam até virar silêncio. Eu respirava, mas era como enfiar vidro nos pulmões. Cada tragada de ar era um lembrete: você continua aqui. Você continua fodido. Mas continua. O hospital esperava por mim como um monstro cansado, mas ainda faminto. As paredes bege, inventadas só pra lembrar que esperança é uma cor que não se usa aqui dentro. O ar carregado de desinfetante barato misturado com suor velho. E por cima de tudo, aquele cheiro ácido de medo, que ninguém nunca nomeia, mas que gruda na pele. O corredor era um intestino interminável de gente quebrada, com passos apressados, olhares baixos, vozes contidas. Enfermeiros, técnicos, médicos, pacientes. Todos correndo de algo que já estava dentro deles.
Meus passos ecoavam no chão encerado. Firmes, calculados, quase arrogantes. Era uma performance, porque por dentro eu estava esfarelando. Sempre estive. Só que ninguém podia ver. Médico que mostra fraqueza vira presa. Eu aprendi cedo que se você quer sobreviver nesse jogo, precisa ser o Jaguar, ou pelo menos parecer um. Então eu andava como se fosse dono daquele território. Mas cada nervo em mim era corda de violino esticada demais, pronta pra arrebentar no primeiro movimento errado.
E, claro, os estagiários já estavam lá. Um bando de filhotes de gente, com as olheiras profundas como crateras e o desespero estampado na cara. Todos enfileirados com suas pranchetas, canetas em punho, olhos vidrados em mim como se eu fosse um messias. Uns mordiscavam as unhas. Outros suavam como porcos. Todos me olhavam com aquele pedido mudo: me ensina a não morrer aqui dentro. Eu quase ri. Se eles soubessem que eu mesmo mal sabia como respirar sem desmoronar, teriam fugido da sala.