Capítulo 06: Um pouquinho de tensão

32 2 0

Acordei assustada, como se houvesse acabado de ter um pesadelo, no entanto, desta vez, eu me lembrava muito bem com o que havia sonhado e sai procurando pela presença de Ansiel pela sala, olhando, primeiramente, atrás do sofá.

Assim que terminei minha busca e constatei que não havia ninguém além de mim ali, me joguei no sofá e respirei aliviada. Ouvi vozes sobressaltadas e observei a televisão sem interesse algum. Resolvi desliga-la antes que o conflito exibido chegasse a um fim. Fechei os olhos, levei minhas mãos às têmporas e as massageei sem pressa.

Aquilo havia sido, de fato, um sonho ou não?

- Gabriel! – chamei, ainda de olhos fechados.

Não sei por que o chamara, poderia ter dito o nome de qualquer um dos cinco. No entanto, era ele quem aparecia na minha mente naquele instante. Sentia como se pudesse rastrear todos eles e a essência dele, para mim, era a mais próxima.

Estranho...

- Lara? – ouvi-o me chamar da porta da sala. – Me chamou?

- Pode vir aqui, um pouquinho...? – pedi cansada.

- Está tudo bem? – senti o sofá afundar do meu lado direito e duas mãos cálidas segurarem as minhas e a puxarem para longe de minha testa.

- Mais ou menos... – respondi, abrindo os olhos e encarando-o.

- Você está pálida! – surpreendeu-se ao me analisar melhor. – O que aconteceu?

Com um suspiro, expliquei o que havia acontecido, deixando bem claro a ele que eu não sabia se tudo aquilo era real ou não. E a medida que eu ia desabafando, sentia o meu corpo ir relaxando de encontro ao dele até que, sem que eu percebesse, já estivesse totalmente apoiada em Gabriel, com minha cabeça descansando em seu ombro, nossos corpos se tocando casualmente e nossas mãos entrelaçadas sobre seu colo.

- E você sentiu algo frio escorrer por sua garganta? – perguntou preocupado.

- Um pouco. – torci o nariz pela lembrança. – Mas, assim que senti que aqueles dedos asquerosos estavam tentando colocar algo dentro de mim, parece que assumi aquela forma e a sensação gélida se foi. – apontei para o meio de minha garganta. – Como se eu a houvesse interrompido de prosseguir, impedindo-a por aqui.

- Pelo visto, era mesmo Ansiel... – respondeu pensativo. – Ele tentou convocar a sua essência para poder aplicar a limitação. Mas, por sorte, você conseguiu repelí-la... – o percebi esfregar o peito, como se quisesse afastar alguma coisa dali. Provavelmente o ataque a minha pessoa o tivesse deixado um pouco apreensivo.

- Basicamente... Queriam controlar o livre arbítrio da minha parte anjo, não é? – confirmei, vendo-o mover a cabeça. – Então, ainda bem que ele perdeu o controle da convocação e eu consegui repelí-lo com minha parte anjo, né? – a expressão que ele assumiu, era de pura angustia e me arrependi de ter comentado tanto.

- Não acredito que você foi atacada bem debaixo de nossos narizes! – o vi fechar as mãos em punhos. – Me sinto inútil... – provavelmente, ele ainda imagina o pior que poderia ter acontecido comigo.

- Apesar de estarem em cinco, vocês não podem me proteger o tempo todo, Gabriel... – tentei consolá-lo.

- Percebi... – suspirou. – E isso é o que mais me assusta, Lara. – abraçou-me forte. – Deveríamos ser o suficiente.

- Mas, vocês são! Para mim, vocês são mais do que suficiente! Sempre me protegeram. Se não fosse por vocês, provavelmente já teria morrido! – apressei-me em responder, me virando em seus braços para encará-lo. – Eu cresci e as coisas se complicaram um pouco mais agora. Sou eu quem precisa ficar mais forte. Preciso me virar sozinha.

Tempos de ApocalipseLeia esta história GRATUITAMENTE!