18 - POR QUE PUBLICAR MEU LIVRO?

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Vou dizer que me arrependi de publicar meu último livro, assim como me arrependi de publicar meu livro de poemas, que me arrependi de escrever o que penso e o que os personagens pensam, afinal nem todos me representam. Poderia ter escrito melhor, encontrado uma editora melhor, feito uma divulgação melhor. Enfim este drama não existiria se tivesse guardado tudo que escrevi numa gaveta/arquivo ou nunca tivesse derrubado uma linha de meus pensamentos numa folha em branco. Não passaria pelo vexame de ver que o revisor deixou passar um erro ortográfico ridículo - que eu cometi - ou perceber uma frase sem o sentido esperado mesmo depois de reler e refazer pela décima quarta vez. Poderia ter jogado tudo no lixo e começado mais uma vez e, quem sabe, ficaria satisfeita. E, finalmente, o que vai na minha cabeça é problema meu! Por que tenho que dividir com outros?

Somos sonhadores como dizia Fernando Pessoa: sonhamos com a perfeição, mas temos pesadelos com o fracasso e deliramos com a grandeza. Assim muitos escritores almejam o sucesso, outros o reconhecimento, outros gostam de escrever e ponto. Seja qual for sua personalidade, tenha um objetivo.

Pergunte-se:

Estou escrevendo para mim ou para os outros?

O que escrevo para mim é relevante para os outros?

Gostaria que as pessoas lessem o que escrevo? Por quê?

Se depois de terminar seu livro e ponderar entre a publicação e a gaveta, escolheu a publicação, saiba que ainda tem muito chão até pegar seu livro na mão ou baixar o e-book. Arrependimentos fazem parte do processo, discussões e disputas também.

Um motivo, no entanto, me leva a querer publicar novamente, aprendi com a experiência. Aprendi com o revisor, com o copidesquista, com o crítico literário, com os leitores beta, e hoje sou um pouco melhor do que era antes. Aquele ovo que publiquei, não tem mais pelo, por outro lado não posso dizer o mesmo do próximo ovo.

Nos próximos capítulos vamos discutir um pouco o que acontece depois que seu livro está pronto. Vamos começar enumerando as etapas:

1 - Leitores Beta (seus amigos, parentes, um ou outro desconhecido)

2 - Leitura Crítica

3 - Primeira Revisão

4 - Copidesque

5 - Segunda Revisão

6 - Leitores Beta para versão final

7 - Preparação de material de divulgação para busca de editoras (Cartas, Sinopses, Resumos, Originais em diferentes formatos, Currículo do Autor)

8 - Publicação e divulgação de alguns capítulos como amostra gratuita em e-book ou plataformas como Scribbe, Wattpad, Blog do autor para avaliar a reação do público alvo.

9 - Torturante espera por uma resposta

10 - Uma dúzia de respostas positivas de editoras "Vanity" que vão tentá-lo como a serpente tentou Eva, resista.

11 - Outro longo período de espera torturante.

12 - Seis meses e nenhum contato promissor, volte e avalie:

A - Meu livro não está realmente bom, a ideia é boa, mas preciso escrever novamente.

B - Meu livro é bom (o leitor crítico disse isso, não se fie pelos seus amigos e sua mãe, pois eles sempre vão dizer que ficou ótimo), tente uma nova leitura crítica e avalie se não faltou um pouco mais de marketing de si mesmo.

Deu para notar que este é um longo percurso. O escritor que termina seu primeiro livro geralmente tem um surto febril e fica louco para mostrá-lo ao maior número de pessoas no menor espaço de tempo possível. Há alguns antídotos para evitar a febre, um deles é estudar: ler bons livros sobre escrita, fazer um curso; outro é começar um novo projeto que será melhor que o anterior, enquanto este não vinga. Inscrever-se em concursos de editoras ou sites literários, mas evite os pagos, onde você é obrigado a "comprar" os livros e revendê-los para recuperar parte do dinheiro e aqueles com mais de 50 contistas, seu conto ficará perdido em meio a bons e ruins. Participar de concursos sérios, além de ser uma excelente fonte de aprimoramento, mostram ao escritor iniciante se ele está ou não pronto para a carreira/mercado.

Alguns escritores iniciantes podem não ter recursos para bancar etapas como leitura crítica, revisão e copidesque. Então voltamos às considerações feitas no capítulo sobre a força da palavra, conheça seu instrumento de trabalho, a língua, use-a adequadamente, leia muito e de tudo, estude. O primeiro livro demora a ser escrito, sugiro que vá fazendo uma pequena poupança ao longo dos meses em que o escreve ou contrate o leitor para o percurso do trabalho. Um em cada mil escritores iniciantes (talvez mais por conta da onda da publicação em e-books) consegue realizar um trabalho que agrada aos agentes literários sem ter passado por todas essas fases. É um risco, o agente que viu seu trabalho mal preparado pode se lembrar do seu nome e nunca mais ler nada seu.

Por fim, nada oferece mais suporte a um escritor iniciante do que ter QI.


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