12 - Os Limites da Prosa

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Este foi o tema de uma palestra que assisti na FLIP (Feira Internacional Literária de Paraty), comprei alguns ingressos para a tenda. Alguns debates não foram o que eu esperava: primeiro - as perguntas eram mecanicamente respondidas; segundo - entre os mediadores, bancados pelos patrocinadores alguns eram de doer; terceiro - alguns dos debatedores não eram o que se possa chamar de efusivos. Por outro lado outros debates foram muito bons, além do prometido, um desses, com um título bem insano - Os Limites da Prosa, e um mediador a altura.

Os debatedores não precisaram de muito, alguns minutos para concluir que não existia limites. Nem limites para a imaginação, nem limites para o que o papel/tela recebe (tinta, escrita, manchas e outras).

Uma faca de dois gumes, esta falta de limites!

Como ser ilimitado?

Esta é a questão. Quanto mais elaborada a prosa, mais puro e consistente se torna o estilo do autor. E quanto mais pura mais seu sentido é perdido!

Acredito que o que nos trava na hora de escrever são nossos próprios limites.

Limites básicos - falta de leitura ou do hábito de escrever, pouco ou nenhum conhecimento estrutural.

O escritor que não domina sua própria língua se torna escravo de fórmulas prontas. Sua visão única - todas são únicas - é descrita com clichês e lugares comuns, sua identidade se perde no universo da mesmice.

Limites Lógicos - o mundo real funciona segundo uma lógica (matemática, física, química, biológica e moral)

Perdido em explicações e descrições para justificar dentro deste mundo real, o que pertence à imaginação, a possível prosa fértil, torna-se compêndio do inexistente.

Limites Ideológicos - o que aprendemos como o certo, aquilo que "vale a pena ser transmitido."

Enquanto a ética nos mantém agregados e seguindo a linha da evolução física, ela nos impõe uma barreira ao novo, quebrar esta barreira não é fácil. Consiste em descobrir dentro da nossa escrita uma ética própria capaz de fazer as histórias evoluírem e corroborando ou criticando ideologicamente nossa verdade.

Limites Psicológicos - ao contrário da tela/papel à nossa frente, não somos uma página em branco.

Todas as experiências, boas ou más, que carregamos estão presentes no que escrevemos. E isto precisa ficar claro para quem escreve. É catarse o que se busca? Redenção? O auto conhecimento pode ser um abismo para uma neurose sem fim ou a chave para a liberdade.

Acho que para escrever sem limites é preciso conhecer onde está esta linha e ultrapassá-la com a certeza de que quem está dentro do limite (o leitor) será capaz de nos perceber do lado de fora.

"A busca pela verdade não existe. O que existe é a jornada pela sua própria verdade e a necessidade de se aparecer desnudo" J. Banville

BK\i

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