5º Capítulo: Confusão na hospedaria

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- Muito bem... – a robusta mulher murmurava, passando as unhas longas e bem cuidadas pelos nomes e números anotados em um grande livro. – Temos apenas um quarto disponível, senhor. – informou, sem erguer a cabeça das páginas.

- Perfeito! – Ângelo deu um leve tapa nas páginas amareladas. – Ficaremos com ele.

- São casados? – finalmente ergueu seus olhos cor de mel, encarando o cliente.

- Por quê?

- Apenas disponibilizamos quartos para aqueles que estão casados. – tamborilou os dedos sobre o balcão. – Não queremos mais problemas com vinganças e disputas por honra. Cansei de limpar mancha de sangue por aí.

- Então, não há com o que se preocupar. – viu-a erguer a sobrancelha, desconfiada. – Ninguém virá atrás de nós. Não há nenhum homem querendo me matar por honra e, muito menos, mulher traída.

- Se me disser que são casados, facilitaria as coisas para mim. – endireitou-se e jogou as madeixas negras para trás dos ombros. – Não quero ir dormir mal, preocupada com alguma invasão.

- Se é pela a sua consciência, então, fique tranquila e durma bem, pois somos casados. – respondeu com seu melhor sorriso.

- Há quanto tempo? – pegou uma pena de ponta afiada e um tinteiro.

- Há quase uma semana, provavelmente... – coçou o queixo.

- Provavelmente? – riu.

- Não sou muito bom com números e datas. – deu de ombros.

- Sei... – molhou cuidadosamente a ponta da pena na tinta negra e se preparou para escrever. – Então, o quarto será reservado em nome do senhor...

- Ângelo Alexander Levy.

- E da senhora? – continuou, sem parar de escrever, deixando a pena fluir delicadamente sobre o papel, tomando cuidado para não borrar.

- Katherine Dolores Cohen. – respondeu de pronto, orgulhoso por se lembrar do nome completo da garota e se esquecendo que deveriam possuir nome de casados.

- Cohen? – a recepcionista ergueu uma das sobrancelhas, ainda sem tirar os olhos do livro.

- Cohen Levy! – apressou-se em corrigir. – Estamos a tão pouco tempo casados, que ainda não me acostumei a chama-la de Senhora Levy... – justificou com um sorriso amarelo.

- Uhum... – resmungou. – Não me importo com seus nomes ou manias, só não quero confusão, senhor Levy.

- E não haverá confusão, senhora. – manteve o sorriso.

- Assim espero... – murmurou. – Muito bem... – ergueu-se das páginas, limpou a pena, guardando-a junto com o tinteiro. – Vou lhes mostrar o seu quarto, pode ir chamar sua esposa.

- Certamente! – saiu da hospedaria, antes que a dona pudesse terminar de se espreguiçar.

- Ângelo! – Katherine chamou, assim que o viu sair. – Conseguiu os quartos?

- Na verdade, consegui um único quarto. – respondeu, puxando-a pela mão.

- Para nós dois? – viu-o confirmar com a cabeça. – Então, é um quarto coletivo?

- Não, individual. Estão em falta de quartos e leitos. Portanto, acredito que teremos que dividir a cama. – viu-a erguer as sobrancelhas. – E para evitar confusões, somos o senhor e a senhora Levy.

- O quê? – puxou a mão, soltando-se. – Disse que somos casados?

- Era o único jeito, senão, teríamos que dormir ao relento. – suspirou.

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