PRÓLOGO

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Me chamo Dakota Gewand e tenho dezesseis anos.


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Meus cabelos louros estão bagunçados e molhados, estou deitada sobre o taco de madeira da varanda da cabana-chalé de meu tio Jackson. Levo uma das minha mãos até minha cabeça, estou inalando um cheiro podre e o céu está escuro, não há iluminação alguma além do brilho da lua e a neblina que a cobre. Sinto algo gelado e aveludado se prender a minha mão, encaro a mesma. Um pequeno pedaço de carcaça forra minhas juntas e sinto um líquido descer pela palma de minha mão. Inclino minha cabeça para a direita e vejo. Uma trilha de sangue ocupa a varanda e segue uma trilha que só consigo enxergar até o último ponto de luz.

Grito. Grito o mais alto que consigo e me levanto, minha roupa está encharcada com o sangue frio, e corro, antes de chegar à floresta, sinto galhos sobre minha pele, o que eles estavam fazendo ali? Continuo correndo, sinto o vento se chocar contra mim a cada passo, mas por que estou correndo? Paro. E encaro a floresta densa atrás de mim. Vejo algo se mexer. Semicerro os olhos e tento enxergar escuridão adentro. Vejo uma criatura de ombros largos coberta por uma manta preta. Ela carrega uma vela consigo. De repente, o capuz despenca. A criatura têm olhos negros profundos e enormes. Sua pele é desgastada e revela uma magreza seca. É pálida e seus cabelos estão armados, entro em choque por alguns segundos. Até que ela se curva para frente e apaga a chama fraca da vela.


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