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Capítulo 5

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Capítulo 5

Eu estava ali, no meio daquela pilha de coisas para organizar, já tinha feito muito desde a hora do almoço quando comecei, mas ainda havia tanto a ser feito. Não estava prestando atenção em relógios, mas sabia que tinham se passado horas. E eu me sentia elétrica, sem vontade de parar. Tanta coisa para arrumar, tanto a ser feito ainda... Então ouvi barulhos de chaves na fechadura da porta do apartamento. Quem seria? Era tão tarde... A noite já havia chegado há um bom tempo...

- Julia?

Eu escutei a voz do meu primo mais novo procurando por mim. E ele me encontrou antes que eu fosse capaz de responder.

- Cheguei agora em casa e vi as luzes acessas, sabia que só podia ser você. Sabe que horas são?

Eu continuava separando as roupas da vovó e as colocando em sacolas pretas. Elas eram tipo as de lixo, mas de um plástico mais resistente.

- Umas 11? - eu perguntei olhando rapidamente para ele e depois voltando a atenção para o que eu fazia.

- São 3 da manhã.

- Sério?

- Sério. Você comeu alguma coisa pelo menos?

- Comi.

- Quando?

- No almoço.

O Anderson revirou os olhos para mim.

- Vou fazer um sanduíche para a gente.

- Não estou com fome. Sério, eu preciso acabar de arrumar isso...

- Não. Você precisa comer.

- Tá bom. - eu aceitei, mais para evitar uma discussão do que por qualquer outro motivo. Eu não sentia fome.

Alguns minutos depois ele voltou com dois pratos nas mãos. Colocou numa mesa perto das sacolas e depois saiu para buscar os sucos.

- Esses casacos... Vou deixar só esses dois casacos no armário. São tão bonitos, acho que nossas mães iriam querer. O resto eu estou colocando tudo nessas sacolas. E aquelas pilha de coisas que tem na sala são de lixo, coisas que não servem nem para doação.

- Senta aqui e vem comer, Julia.

E eu fui, e quando mastigava eu continuei:

- Você não faz idéia das coisas que a vovó guardava, tinha um monte de coisas do vovô também. Encontrei uma vitrola, discos antigos, um monte de fotos antigas de gente que eu não conheço, cremes e maquiagem vencidos e até uma revista da década de 50.

- A gente podia vender numa loja de antiguidade.

- Não, a revista está toda roída de traças, a vitrola quebrada, é tudo lixo. Ah! E tenho que te mostrar! Achei umas coisas tão bonitinhas! Uns enfeites antigos e uma caixa de música que estavam no fundo do armário da sala!

Eu tentei me levantar para mostrar para ele os meus achados, mas ele me segurou.

- Come, Julia.

- Não posso, tenho que arrumar as coisas...

- Nada disso vai sair daqui. Não precisa fazer tudo hoje.

- Tá bom. - eu dei mais uma mordida no sanduíche para contentá-lo. Ele estava bem saboroso até, só que eu não sentia fome.

- Onde está o seu namorado, ele não deveria estar aqui?

- Ele está em Pelotas.

- Ele não poderia ficar mais uns dias?

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