Harry, i..

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(Louis pov.)

Tinha sido uma briga enorme contra mim mesmo todos esses anos. Sexualidade, inseguranças... Eu sabia o que eu queria, mas sabia que não era certo. Encontrei em tudo isso, uma única coisa que me desse paz. Descobri dentro de uma amizade, uma coisa que ia crescendo cada vez que eu via aquele olhar cheio de segurança e certeza sobre tudo. Minha única certeza era o poder que aquele olhar tinha sobre mim..

Não que eu achasse tudo isso certo, também era uma coisa nova para mim naquela idade e naquela época.

Me sentia constantemente como alguém que descobre algo, completamente fora da sua área de conforto, mas que não conta a ninguém pois não sabe explicar tudo aquilo ainda. Isso estava me matando. Eu só queria ser eu mesmo, porém, não sabia quem eu era.

Eu sabia que minha família ficaria comigo em qualquer uma das minhas escolhas, mesmo sendo tão conservadores, nós sempre tivemos uma convivência incrível e eu sei que eles apoiariam tudo o que me fizesse feliz.

13 meses atrás >>

"Vamos lá, isso não é tão ruim. O pior que poderá acontecer é você perder a amizade dele para sempre, mas tudo bem.." pensei comigo mesmo.

Mãos suadas, pernas fracas e meu coração batendo mais rápido que qualquer carro em filmes de corridas e claro, um frio na barriga como se eu tivesse numa montanha-russa de 500 metros que só descia. Era tudo o que eu conseguia sentir ali de frente a porta branca da sua casa.

Já tinha ensaiado as frases, gravado as respostas e pensado nas inúmeras situações que criei na minha cabeça, onde na mesma eu colocava "e se..." no começo de todos os pensamentos.

E em segundos, senti meus dedos deslizarem por aquela campainha no canto da porta, soltando aquele som que era comum para mim, mas me fazia ter uma imensa vontade de sair correndo dali até chegar na minha cama e ficar lá por dias, naquele momento.

Naqueles míseros segundos em que eu esperava alguém abrir a porta, comecei a mexer descontroladamente nos meus cabelos: "Essa mecha para esse lado, essa para esse, e você.. fica aqui", nunca estava bom, era como se ele fosse falar para mim:

"Não concordo com nada do o que você disse, porque seu cabelo está bagunçado."

Não que isso fizesse sentido pra mim ali.. Mas definitivamente fazia. Tudo isso aconteceu em questão de minutos mais pareciam anos para mim...

Ouvi barulhos vindo da porta, a maçaneta girando e a porta se abrindo. Era agora.

"Ah, oi, Louis. O Harry.. Am.." Gemma falava, mas acabei não prestando muita atenção e sem querer a interrompi.

"O Harry está no quarto? Er.. Eu preciso muito falar com ele" arrumei meu cabelo mais umas 10 vezes enquanto tentava ao máximo não gaguejar em uma simples frase, mesmo ciente que qualquer pessoa ali com um senso de ridículo saberia que eu estava nervoso.

"Eh.. Ah.. Sim."

"Okay, obrigado!" passei correndo pelo pequeno espaço entre a Gemma e a porta, subindo as escadas rapidamente.

Conhecia aquele lugar mais que minha própria casa. Na verdade, ali era minha segunda casa e minha segunda família também.

Os Styles sempre foram muito gentis comigo, em tudo. Eles sempre me levaram para sair com eles quando eu era menor e me tratavam como filho. Harry já me disse uma vez que ele tinha um pouco de ciúmes porque desde sempre me davam bastante atenção. Apenas sorri quando ouvi essa história, já que eu apenas conseguia prestar atenção naquele garoto com a boca rosada e no final, sorrindo com aquelas incríveis crateras nas enormes bochechas. Suas mãos passavam sobre aquele cabelo macio, duas batidas para o lado, jogando o mesmo para frente e logo arrumando algumas mechas caídas em seu rosto. Ele não tinha limites...

Passei no banheiro antes de ir para o quarto. Encarei meu rosto naquele espelho por um minuto e repeti comigo mesmo que iria da tudo certo.

Ouvi algumas risadas do Harry enquanto eu estava ali, cabisbaixo, encostado na pia e isso me tirou alguns sorriso. Voltando para o quarto, comecei a repetir comigo mesmo, mais uma vez, "Harry, eu queria te falar uma coisa.." o mais baixo possível.

"Não é tão fácil assim, Lizie..." escultei a voz do Harry falando suavemente acompanhado de umas gargalhadas e sem pensar duas vezes, meu primeiro impulso foi abrir aquela porta com toda força possível que, por sorte ou não, não estava trancada.

"Harry, eu..."

Essas foram as últimas palavras ditas naquele ambiente mesmo depois de alguns segundos em um completo mar de silêncio.

Com a força que eu coloquei na porta acabei entrando no quanto, mais do que devia.

"Lou...?!" ele falou enquanto tirava Lizie do seu colo jogando-a no canto da cama.

Olhei para aquilo e soltei um pequeno sorriso entre o canto dos lábios ao ver a situação de merda em que eu estava. Logo depois, abaixei a cabeça e tentei procurar nos meus próprios pensamentos motivos para continuar ali e, sinceramente, não havia mais nenhum.

Dei meia-volta rumo a porta até sentir uma mão segurando fortemente a minha:

"Bad boy.. Espera.. Não é nad.."

"Nunca é nada disso, não é mesmo? Agora me solta."

Puxei meu braço de volta para mim e sai dali o mais rápido possível, descendo as escadas a ponto de cair ali mesmo em qualquer passo em falso.

"Louis Tomlinson, eu preciso falar com você." ouvi antes de dar os últimos passos ali e bater a porta de entrada da casa.

"Por que ele saiu assim? O que você fez, seu imbecil?" consegui ouvir Gemma gritando para ele, mesmo depois de sair dali.







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Dica: Próximo capítulo !

@portalstylinson

Theory - Larry StylinsonWhere stories live. Discover now