Capítulo 31

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–Você foi à casa do meu pai.

Chanyeol levantou os olhos do livro-razão que estava examinando.

Baekhyun.

Ele estava parado diante da escrivaninha dele, encarando-o. Seus olhos estavam vermelhos, como se tivesse chorado. Ele colocou o livro de lado e se levantou.

- Você foi à casa do meu pai – repetiu. – Em Hertfordshire.

Não fazia muito sentido negar.

– Fui.

– Na calada da noite.

– Sim.

– Você invadiu a casa paroquial.

Ele passou a mão pelo cabelo desgrenhado.

– Na verdade, eu entrei pela janela do quarto dele.

– E disse que era um demônio vindo do inferno.

– Para ser honesto, não precisei me esforçar muito para que ele acreditasse.

– Você disse que ia parar com isso. Que não ia mais vagar pela noite. Você me prometeu.

– Eu fui até ele antes disso. Faz semanas e... Como você ficou sabendo, afinal?

– Ele veio me ver. No ateliê onde eu trabalhava.

– Bastardo infame – Park praguejou.

– Ele se desculpou – continuou. – Você consegue acreditar? Ele se ajoelhou aos meus pés e implorou pelo meu perdão.

– Bem, espero que você não o tenha dado.

– Por quê? – O olhar dele era direto e perturbador. – Por que você se importa? Por que foi procurá-lo?

– Porque ele o magoou, Baek. – Chanyeol deu um tapa na mesa para enfatizar. – Esse homem o botou na rua, sem pena nem remorso. Ele o deixou tremer de frio, faminto, sozinho, te deixou com medo do frio, com tanto medo que seu coração se conformou em casar com um cretino amargurado. Ele o tratou como se você não valesse nada, e por isso merece apodrecer debaixo da terra, e foi só por você que eu mesmo não o coloquei lá. Ele o magoou e eu não admito isso. E também não vou me desculpar. Nem agora, nem nunca.

– Entendo.

Chnayeol deixou o silêncio tomar conta da biblioteca. Esse podia ser o último momento de silêncio que ele teria por algum tempo. A atitude do Byun estava tão contida, na superfície, que ele só podia imaginar que Baekhyun estava fervendo como um vulcão por dentro. Ele soltou lentamente a respiração, preparando-se para a erupção.

Baekhyun deu a volta na escrivaninha em passos rápidos, e Chanyeol se virou para encará-lo. Ele não iria se esconder.

Então ele o agarrou pelas lapelas, puxou-o para si e o beijou como merecia.

Não.

Ele o beijou por muito mais do que ele merecia, por milhares de vezes.

– Obrigado – sussurrou em meio a beijos escaldantes. – Obrigado, nunca alguém me defendeu assim.

Qualquer escala de cavalheirismo que colocasse Chnayeol no ponto máximo era uma medida bem fraca. Mas ele aceitaria os beijos dele, alegremente. De bom grado. Aceitaria qualquer parte que o Byun lhe oferecesse. Corpo, mente, coração, alma.

Parecia, contudo, que corpos eram a oferta do momento. E assim como Chanyeol estava disposto a aceitar o Byun, Baekhyun parecia ainda mais ávido para pegar o dele. Enquanto se beijavam, o ômega começou a puxar as mangas do paletó, tirando-as de seus braços até a peça toda ir parar no chão. Os botões do colete foram os próximos.

The Duchess DeallOnde histórias criam vida. Descubra agora