Capítulo 16

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Adaptação de "Um Casamento Conveniente" de Tessa Dare

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– Entre, entre. Estou tão feliz que tenha vindo. – Baekhyun entregou a capa de Kyungsoo, molhada de chuva, para a criada. – Não acredito que você veio debaixo desse temporal.

– Eu sou sempre pontual – Kyung disse, alisando os fios de cabelo preto que se levantaram com a umidade.

– Sim, imaginei que fosse.

– Eu trouxe o cronômetro. – Ele abriu a maleta sobre o banco ao lado e retirou um instrumento de bronze que parecia o relógio de bolso de um gigante. – Posso lhe garantir que ele mede o tempo com precisão de um segundo. Eu o levo ao relógio central a cada quinze dias para ser sincronizado no meridiano, e uma vez por ano é calibrado...

– Não precisa me vender seus serviços, Soo. Eu tenho plena confiança em você.

– Obrigada. – sorriu.

Baekhyun o levou até a sala de estar.

– Primeiro, chá. Você precisa de algo para se aquecer depois de vir nessa chuva. Então vamos andar pela casa e ver quantos relógios nós temos.

– Você não precisa fazer isso. A governanta pode me acompanhar.

– Acredite, vai ser um exercício útil. Existem alas desta casa que eu ainda não conheço bem.

– Sim, mas nas outras residências elegantes, eu só acerto um ou dois relógios, e depois o mordomo...

– Esta não é uma das outras residências elegantes – Byun o interrompeu. – Você vai acertar sozinho todos os relógios desta casa. Todas as semanas. E vai nos cobrar o triplo do que costuma.

– Eu não posso fazer isso.

– Muito bem, então. Vamos multiplicar seu valor por cinco. – A criada trouxe a bandeja com xícaras e chaleira. Byun esperou até a beta sair, depois pegou a chaleira para servir. – Eu sei... muito bem... como é ser um jovem solteiro em Londres, alguém que precisa trabalhar por valores criminosamente baixos.

Kyungsoo pegou sua xícara e olhou para o líquido.

– Se você quiser mesmo me fazer um favor...

– Qualquer coisa.

– Eu preciso de um conjunto de terno novo. Algo um pouco mais elegante, para quando vou visitar clientes em potencial. Talvez você possa me ajudar a escolher o estilo, ou a selecionar o tecido?

– Vou fazer melhor do que isso. Eu mesmo vou desenhar e costurar. – Ele levantou a mão para recusar a objeção do amigo. – Não existe nada que eu gostaria mais de fazer.

– É demais.

– Nem um pouco. Outros ômegas tocam piano ou pintam aquarelas. Meu talento é fazer roupas. Por mais que possa soar estranho, sinto falta do desafio. Então é você quem estaria me fazendo o favor.

Muitos dos ômegas que visitavam o ateliê de Madame eram elegantes e andavam na última moda, mas os favoritos do Byun eram os outros, os tímidos, os solteirões, aqueles em quem ninguém reparava. Costurar para eles não era algo superficial. Um vestido ou um conjunto de terno bem-feito, favorável, tinha a capacidade de fazer aparecerem qualidades interiores da pessoa: não apenas o encanto, mas também autoconfiança.

Do Kyungsoo era uma beleza oculta.

– Se você insiste – ele disse, tímido.

– Insisto. Só preciso tirar suas medidas, e depois farei alguns desenhos.

The Duchess DeallOnde histórias criam vida. Descubra agora