Capítulo VI

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Voltaram para a festa, e a verdade é que ninguém parecia ter dado por falta deles. Tudo continuava da mesma forma, com mesas lotadas de gente comendo e fingindo simpatia.

Leo largou a mão dela e disse que precisava procurar os noivos. Pediu que ela não saísse dali, e obviamente Laura não obedeceu. Encontrou Tia Mercê em uma mesa rodeada de casais idosos rindo de alguma coisa idiota.

_ Tia Mercê, acho que já tá na hora da gente ir embora - disse sussurrando no ouvido da tia.

_ Só porquê você já deu sua voltinha com o bonitão já quer ir embora?! Não senhora! Senta aqui e finge que te dei educação. - Passou o resto da festa discretamente fugindo de Leonardo. Já era suficiente constrangedor a bronca da tia, melhor ele manter a distância e evitar mais comentários.

Chegaram em casa por volta das quatro da tarde. Laura foi direto para  quarto, tomou um banho e se jogou na cama. Sonhou com cachoeiras.

***

_ Mana, acorda!

_Porque diabos eu acordaria se estou feliz dormindo?!

_ Porque a noite já caiu, um médico charmoso veio te visitar e está lá na sala sendo vítima das conversas da mamãe. Se você tem amor às suas histórias de criança, vai lá interromper isso!

_ Tia Mercê não dá sossego ein?!Levantou, penteou os cabelos e se enfiou em um vestido florido. Pela janela já dava para ver a noite sem nuvens.

_ Veja só, acordou a bela adormecida - falou a tia em tom teatral - Me diz Ric, isso é hora de se estar dormindo?! Mas coitadinha, se cansou na festa mais cedo. Passeou demais sabe?! Você devia ter ido, foi uma cerimônia linda. - Essa mania da Tia Mercê de falar demais ainda ia dar merda.

_ É uma pena. Mas emergências são emergências.

_ Depois a Laura te conta como foi. Né Laura? Aproveita e janta conosco, hoje é dia de pizza. Eu e Maria Clara já íamos assistir alguns filmes de super herói hoje, seria ótimo se você nos acompanhasse. Laura também adora filmes de super herói.

_ Não quero atrapalhar...

_ Que é isso? Nunca! Você nunca incomoda. Desde pequenininho já era um amor. Né Laura?! Lembra? Ricardo sempre foi um menino de ouro. Fica à vontade querido, vou colocar nossas pizzas no forno. Daqui a pouco minhas meninas já estão reclamando de fome.

Finalmente a tia parou de falar e saiu da sala, não sem antes mandar uma piscadela para a sobrinha.

_ Então, tava ótimo o bolo que você me deu. - falou Laura em tom de brincadeira.

_ Mil perdões. Eu realmente preciso atender à emergências. Ossos do ofício. Eu pensei inclusive em trazer flores para me desculpar, mas você não me parece muito do tipo que gosta de flores.

_ Até gosto, mas prefiro que continuem vivas.

_ Imaginei. Bom, vim mesmo só me desculpar, prometo me redimir assim que possível. Você deve estar cansada, vou te deixar descansar.

_ Tá louco?! E perder a pizza da Tia Mercê? Vem, senta aqui. Me conta que emergência foi essa que me privou da sua companhia.

Logo Clarinha chegou, tinha sido expulsa da cozinha. Mercedez era assim, dizia que gente demais na hora de cozinhar só atrapalha. Por gente demais entenda qualquer pessoa além dela. Ficaram os três falando bobagens. Era bom conversar com Ricardo, ele era leve e ao mesmo tempo firme. Ouvia com paciência e sempre tinha algo espirituoso para falar. Não era preciso fazer força alguma para gostar dele.

Dia e Noite se completamLeia esta história GRATUITAMENTE!