CAPÍTULO IV

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Sarah:

Piso em casa com um sorriso nos lábios. Não, minha noite realmente não terminou como eu queria, mas com certeza foi bastante interessante. E ver Adam frustrado, foi muito bom. Eu sabia perfeitamente que ele não queria me levar para o tal concerto de música clássica, que sua mãe havia desmarcado e logo em seguida me colocado em seu lugar. Não consigo entender o que o deixa tão incomodado em relação a mim, a partir daquela noite eu pude ter certeza que ele não era gay. O desejo transparecia em seu olhar, quando me via; a forma como sua respiração ficava pesada e seus lábios entreabertos para facilitar a entrada do ar em seus pulmões, quando eu sorria de maneira maliciosa.

Mas confesso que também estou exausta, o dia não foi nada fácil, apesar de fazer o que gosto, um extenso dia de trabalho é sempre cansativo.

Olho em volta, meu apartamento parece cada vez mais frio e solitário. Eu não dava tanta importância quando Sofia estava em casa, eu mesma não parava ali, mas agora, me arrependo por não ter aproveitado mais o momento de estar com ela. Agora, Sofia está grávida de um garotão e com um pé no altar, vai se casar com o deus grego do Enzo – com todo respeito. E eu aqui, cada dia mais esquecida, cheia de superficialidade. Tentando mentir para mim mesma que tudo o que conquistei até hoje, me satisfaz plenamente. Sendo que eu sei bem, que uma parte de mim que se perdeu, estará perdida para sempre.

Vou para meu quarto, tiro a roupa e em seguida vou ao banheiro. Depois de alguns minutos de banho, volto para o quarto e vejo que o meu celular está piscando, em cima da cama. Alguma notificação. Quando verifico, é uma mensagem instantânea do Leonard.

Léo: Gatinha, tô saindo de uma apresentação agora. Quer que eu vá até aí?

Então, respondo:

Eu: Oi gatão. Estou exausta. Melhor deixar sabe-se lá o quê, que tenha em mente, para outro dia.

Léo: Posso te fazer uma massagem bem gostosa. Vc sabe que sou bom.

Eu: Vc é muito bom, em muita coisa. Mas já vou dormir. Já estou deitada.

Léo: Está pelada?

Sorrio diante daquele seu descaramento, adoro aquele jeito que Leonard conduz as coisas. Mas no momento, eu não quero entrar na brincadeira, nós sabemos perfeitamente como atiçar o outro, e eu realmente não estou disposta a ter uma maratona de sexo aquela noite.

Eu: Estou com um pijama de flanela velho que eu guardo no fundo da gaveta, cor de ferrugem, e cheiro de naftalina.

Léo: Vc sabe mesmo como ser broxante.

Eu: Boa noite, Léo. Bjs!

Léo: Boa noite, gatinha. Estarei viajando essa semana. Nos vemos quando eu voltar. Mil bjs! ;)

Foi melhor assim, para ficar com aquele rockeiro gostosão eu tinha que estar com pique, porque ele é insaciável. Então, finalmente deito em minha cama, ainda envolvida numa toalha, minha preguiça está me matando, então nem vou atrás de uma camisola para vestir, simplesmente me desvencilho da toalha molhada, jogando-a na cadeira mais próxima da cama, dormirei do jeito que Léo havia me perguntado se eu estava, pelada.

Acordo com o apito gritante do meu despertador, todo dia de manhã eu desejo ter colocado um martelo ao meu lado na cama antes de dormir, para quebrar aquela porcaria quando acordasse. Confesso que não sou uma pessoa matinal, acordo sempre de mal humor, ainda mais quando me olho no espelho.

Como estou sozinha mesmo em casa, nem me dou o trabalho de procurar algo para vestir. Vou para a cozinha, preparo um café, em seguida, me sento no banco alto próximo ao balcão, que divide a sala da cozinha. Começo a tomar meu único e perfeito alimento do dia, aquele que está na base da minha pirâmide alimentar, meu pretinho básico. Pego a revista Vogue, começo a foliar, meio que dispersa, sem prestar na verdade, muita atenção em todas aquelas notícias da moda.

Agora e Sempre - Livro 2. #COMPLETOLeia esta história GRATUITAMENTE!