Capítulo 6

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Adaptação de "Um Casamento Conveniente" de Tessa Dare


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Aquele gato era a criatura mais imunda, nojenta e repulsiva que Chanyeol tinha visto em toda a vida, a não ser nas raras ocasiões em que ele se viu refletido no espelho. O bichano era pouco mais que um amontoado de ossos ensacados por uma pelagem cor de sujeira, sem dúvida infestada de pulgas.

Seu futuro esposo segurava o animal com as duas mãos, mantendo-o à frente do corpo como se fosse um buquê. Excelente. Como é que diziam? Uma coisa velha, uma nova, uma emprestada e uma miando.

Park fez uma careta de desgosto para aquela coisa. A criatura chiou para ele em resposta. A repulsa parecia ser mútua.

– Isso tem um nome? – ele perguntou.

Ele arregalou os olhos, como se espantada com a pergunta.

– O quê?

– Um nome. Esse gato tem um nome?

– Ah. Claro. O nome dele é Calças.

Calças?

– Não foi o que eu disse? – Ele não mostrava indícios de que soltaria a fera. Apenas olhou ao redor. – Onde vamos dizer nossos votos? Na biblioteca?

– Você não está querendo ficar com essa coisa durante a cerimônia, está?

– Mas eu tenho medo de que, se eu o puser no chão, ele fuja. Além do mais, ele quer ser uma testemunha. Não quer, Calças? – Ela virou o focinho do gato para si e fez um bico de beijo. – Este é o Duque Park Channyeol, você não está gostando de conhecer o duque? – Ele pegou a pata do bicho e fez um aceno na direção ao alfa. – Ele é muito amistoso.

O gato fez um movimento de ataque assustador com a garra. Certo. Aquilo bastava.

Park estendeu os braços, fez força para tirar o animal das mãos do ômega e o colocou no chão. A fera cinzenta saiu em disparada no mesmo instante.

– Esta casa é enorme – Byun protestou. – Ele pode ficar perdido durante dias.

– Essa é nossa única esperança.

Ele puxou a frente do colete e se virou para observar seu noivo. De todos os inconvenientes do gato, o pior era ter ficado na frente dele.

Os lábios de pétala de rosa se moveram. Droga, isso significava que tinha ficado olhando fixamente para eles. E ele não tinha ouvido o que o menor disse.

– O pároco está esperando na sala de visitas – ele disse.

O ômega hesitou.

Ele se preparou para ouvi-la dizer: Não posso fazer isso! Ou: O que eu estava pensando? Ou ainda: Prefiro morar ao relento e passar fome, muito obrigada.

– Onde fica a sala de visitas? – Foi só o que ele disse.

Com um suspiro de alívio, o duque se virou e lhe ofereceu o braço.

– Por aqui.

Os passos dele não foram exatamente leves, mas Chanyeol não podia criticá-lo por isso. Sem dúvida, Baekhyun preferiria se casar por amor, e ele iria arrancar esse sonho dos dedinhos do ômega, vermelhos de tanto trabalhar, substituindo o noivo bonito e charmoso por um monstro genioso, uma pontada de culpa acertou-o em cheio.

Ele precisava ignorar a própria consciência. A guerra o tinha ensinado duas coisas:

primeiro, a vida era fugaz;

The Duchess DeallOnde histórias criam vida. Descubra agora