Adaptação de "Um Casamento Conveniente" de Tessa Dare
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Chanyeol nunca quis tanto beijar alguém.
Ele queria beijá-lo tanto que podia até sentir o sabor. Devoraria a doçura rosada daqueles lábios, acariciaria todas as palavras azedas na ponta daquela língua. Iria lhe ensinar uma ou duas lições, deixando-o ofegante. Trêmulo. Queria fazer mais do que o beijar, claro.
Pela mão de Vênus.
Alguns anos atrás, ele o teria beijado. E mais. Ele o atrairia com uma campanha de pequenos presentes e uma sedução bem-humorada. O ômega iria para a cama dele entusiasmado, ávido até. E então eles se descobririam por completo.
Mas isso estava no passado. O bom-humor encantador dele tinha sido substituído por uma raiva fumegante, e seu rosto, que um dia fora atraente, se encontrava desfigurado. Nenhum ômega bom da cabeça seria atraído pelos beijos de um desgraçado amargurado e monstruoso.
Não importava. Ele não precisava atrair um amante. Precisava de um ômega. Com quem se casaria e faria sexo, depois que engravidasse de seu herdeiro, era só escondê-lo no interior do país. Fim da história.
Park se endireitou, arqueando uma sobrancelha com ironia. Felizmente, ele ainda possuía uma sobrancelha intacta. Seria difícil ser um duque sem uma sobrancelha para arquear com ironia.
Baekhyun soltou a fita métrica.
– Escolha o tecido na loja e mande entregar cinco metros aqui. Com suas cores, sugiro brocado rosa.
Ele inclinou a cabeça para o lado.
– Mesmo? Eu estava pensando em pêssego.
O menor pegou a cartola, o casaco, as luvas e a bengala dele e colocou tudo nas mãos do duque.
– Agora devo lhe pedir que vá embora. Preciso ir para casa.
– Podemos fazer essas duas coisas ao mesmo tempo. Eu o levo para casa. Minha carruagem está aí fora.
– Obrigada, eu prefiro andar.
– Ainda mais conveniente. Meus pés estão mais perto do que a carruagem.
Baek se encaminhou para a saída nos fundos da loja. Park vestiu casaco, capa, luvas, chapéu e saiu atrás dele numa viela úmida e fedorenta. Com suas longas passadas maiores que a do ômega, ele logo o alcançou.
Os sapatos do menor estalavam nos paralelepípedos da rua, produzindo um barulho irritado.
– Não vou ser seu amante. Meu corpo não está disponível para negócios.
– Isso não pode ser totalmente verdade. Você é um estilista, certo? Seus dedos podem ser alugados.
– Se você não sabe a diferença entre os dedos e o útero de uma pessoa, com certeza não irei dividir uma cama com você.
Depois de um instante de perplexidade, ele riu. O som saiu esquisito, enferrujado. Chanyeol imaginou que estava lhe faltando prática.
– Eu sei a diferença. – Ele pegou a mão sem luva de Baekhyun e passou o polegar pelas pontas dos dedos. – Pode acreditar que não vou confundir as coisas.
Ele encontrou um calo na ponta do indicador, o que o deixou bravo. O filho de um pastor deveria ter mãos macias, mas a vida tinha endurecido aquele estilista de vários e pequenos modos. Ele teve a vontade perturbadora de levar a mão do menor aos lábios e afastar toda aquela dor com beijos.
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The Duchess Deall
FanfictionQuando Byun Baekhyun, um estilista , aparece na casa de Park Chanyeol para exigir o pagamento de uma dívida, o alfa vê ali uma grande oportunidade de acordo e lhe faz a proposta de casamento. Mas o duque deixa claro algumas regras que devem ser segu...
