Capítulo 3

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Adaptação de "Um Casamento Conveniente" de Tessa Dare


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– Não sou um tonto? – Luhan estava num provador do ateliê de

Madame Irene, mantendo-se imóvel enquanto Baekhyun media sua cintura. – Mais gordo a cada dia que passa. Acho que estou exagerando nos bolinhos da hora do chá.

Baek duvidou. Essa era a segunda vez no mês que Luhan ia até o ateliê para alargar um colete ou um casaco, e o ômega mais velho costurava o guarda-roupa do jovem desde a sua primeira Temporada.

Nunca tinha visto o garoto ganhar peso, muito menos com aquela rapidez. A culpa não era dos bolinhos do chá. Na verdade, não cabia a Baekhyun dizer nada, mas ele tinha se afeiçoado ao mais novo, único filho de um magnata da marinha mercante e herdeiro de sua fortuna.

Um pouco mimado e protegido, mas possuía certo brilho. Era um cliente que sempre tornava melhor o dia de Baekhyun, e isso já era o bastante. A maioria dos ômegas que entrava no ateliê o ignoravam.

Nesse dia, quando olhou para o jovem, não havia brilho. Apenas terror. Era evidente que o pobre garoto precisava de um confidente.

– Está de quantos meses? –perguntou com a voz suave.

Luhan se desfez em lágrimas.

– Quase quatro, eu acho.

– O Alfa sabe?

– Não tenho como dizer para ele. É um artista. Eu o conheci quando veio pintar o retrato dos nossos cachorros, e eu... Não importa. Ele sumiu. Foi para a Albânia em busca de inspiração romântica, seja lá o que isso quer dizer.

Quer dizer que ele é um canalha, Baek pensou.

– E a sua família? Eles sabem?

– Não. – Ele sacudiu a cabeça com vigor. – Só tenho meu pai. Ele espera tanto de mim. Se soubesse que fui tão descuidado, ele... nunca mais me veria com os mesmos olhos.

Ele escondeu o rosto nas mãos e começou a soluçar em silêncio.

– Eu não aguentaria.

Baekhyun puxou o garoto para um abraço, afagando suas costas num ritmo calmante.

– Eu sinto tanto.

– Não sei o que fazer. Estou com tanto medo. – Se afastou do abraço. – Não posso criar uma criança sozinho. Estava pensando; se conseguisse deixar o bebê com uma família no interior... Eu poderia visitá-lo de tempos em tempos. Sei que as pessoas fazem isso. – Luhan colocou uma mão sobre a barriga e olhou para ela. – Mas estou ficando maior a cada dia que passa. Não vou conseguir esconder por mais tempo.

Baekhyun ofereceu um lenço ao garoto.

– Existe algum lugar aonde você possa ir? A casa de um amigo ou primo, no interior ou no continente... Alguém que possa ficar com você até o nascimento?

– Não tenho ninguém. Pelo menos ninguém que guardasse o segredo. – Ele apertou o lenço na mão. – Oh, se eu não tivesse sido tão idiota. Eu sabia que aquilo era errado, mas ele foi tão romântico; disse que eu era o ômega dos sonhos dele. Fez eu me sentir...

Apreciado. Desejado. Amado.

Luhan não precisava explicar. Baekhyun sabia exatamente como o outro estava se sentindo.

The Duchess DeallOnde histórias criam vida. Descubra agora