2 semanas depois
Valentina Zenere
Acordo me sentindo completamente enjoada, e só consigo pensar que isso deve ser consequência de tudo o que aconteceu. André não fala mais comigo, e todas as vezes que tento ligar para ele, ele desliga na minha cara sem hesitar. Fiquei sabendo que ele está morando na casa do Caio desde aquela noite na formatura.
Nos primeiros dias, César me ligava sem parar, mas quando percebeu que eu estava falando sério sobre dar um tempo, me deixou em paz. Isso acabou me machucando ainda mais, porque, quando ele ligava, eu ainda tinha esperanças de que pudéssemos ficar juntos. Mas parece que ele também aceitou que nosso destino é seguir caminhos separados.
Nas últimas semanas, eu não tenho vivido, apenas existido, sentindo-me um verdadeiro lixo. Perdi meu amor e minha amizade. Meus pais vêm frequentemente ao meu quarto para ver como estou, preocupados. Desde que a escola terminou, eles me perguntam sobre os vestibulares, mas eu simplesmente não consigo seguir em frente.
Porém, decido que não posso continuar assim. Preciso resolver as coisas com André. Me arrumo, desço as escadas e caminho em direção à porta, mas sou interrompida pelos meus pais.
— Valentina, finalmente se levantou. Estávamos preocupados com você, minha filha.
— Sim, papai e mamãe, eu me levantei porque preciso resolver algo que não pode esperar.
— Vai atrás do André, não vai?
— Exatamente. Beijos, e não me esperem mais tarde.
Chamo um Uber e vou para a casa do Caio. Chego lá, completamente tensa, e toco a campainha, rezando para que André queira falar comigo. Caio atende a porta, com uma expressão nada amigável.
— O que você quer?
— Preciso falar com o André. Por favor, me deixa entrar.
— Mas ele não quer falar com você.
— Tudo bem, Caio. Deixa a traidora entrar.
Ouço a voz de André, que surge atrás de Caio. Entro na casa, sentindo minha boca seca, o coração disparado e as mãos suadas de nervosismo.
— Fala, Valentina. O que veio fazer aqui? Anda logo, que eu não tenho tempo pra isso.
— André, eu sei que fui horrível. Não mereço seu perdão, mas preciso que você saiba que nada disso foi planejado. Antes mesmo de eu saber que ele era seu pai, nós já tínhamos nos beijado naquela balada. Foi quase amor à primeira vista.
Eu digo, chorando, enquanto ele ri de mim.
— Isso é ridículo. Você realmente quer que eu acredite nisso?
— Talvez não seja amor, mas o sentimento estava lá. Quando descobrimos quem realmente éramos, lutamos com todas as forças contra isso.
— Mas aí a carne foi fraca, né? E você pretendia me contar quando?
— Eu não sei, André. Só quero que você saiba que eu não fiz de propósito. Eu te amo mais do que tudo, amo nossa amizade e... Meu Deus, acho que estou passando mal...
Meu coração acelera e sinto minha pressão cair. Aos poucos, perco os sentidos e caio no chão. A última coisa que ouço antes de desmaiar é a voz desesperada de André.
— Que merda, Valentina! Pelo amor de Deus, chama uma ambulância!
César LeBlanc
Tentei desesperadamente falar com André e Valentina nas últimas duas semanas, mas ambos me ignoraram completamente. Por isso, me assustei tanto quando recebi uma ligação desesperada de André.
— Pai, pelo amor de Deus, corre para o Hospital São João. É a Valentina, ela desmaiou do nada e...
— Não diga mais nada, estou a caminho.
Dirijo tão rápido como se minha própria vida dependesse disso. Não consigo nem imaginar algo acontecendo com Valentina. Chego ao hospital e encontro André e Caio aos prantos. Contra todas as minhas expectativas, André vem até mim e me dá um longo abraço.
— Me desculpa, pai. Fui tão egoísta com vocês. Eu não tenho o direito de dizer quem você pode ou não amar.
— Está tudo bem, filho. Estou aqui com você. Mas afinal, o que aconteceu com ela?
— Eu... eu não sei. Ela foi até a casa do Caio me pedir perdão e, do nada, desmaiou...
Então, reconheço a voz de alguém que não me agrada muito. Olho rapidamente e confirmo minhas suspeitas: um homem vestido com um jaleco branco.
— Não foi do nada...
Ele está cabisbaixo e vem em nossa direção.
— Bruno? O que você está fazendo aqui?
— Eu trabalho aqui, sou médico, lembra? E, bem, tem algo que vocês precisam saber.
— Então fala logo! Quer matar a gente de susto?
Respondo desesperado, e ele diz a frase que paralisa meu coração por completo.
— A Valentina está grávida.
VOCÊ ESTÁ LENDO
INDOMÁVEL
Romance•ENEMIES TO LOVERS •ROMANCE PROÍBIDO Valentina Zenere, é uma Garota de 18 anos cujo o espírito livre e divertido contagia seu melhor amigo André, que sempre teve a timidez como a maior característica de sua personalidade o fazendo um nerd antisocia...
