Capítulo 1

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O carro do meu pai parou em uma das vagas do condomínio em que ele morava, eu não sei porque eu tinha retido essa informação, três anos atrás ele me ligou e disse que estava se mudando para um condomínio e perguntou se eu queria morar com ele, e claro eu recusei. Mas agora eu não tive escolha, após uma série de brigas intensas com a minha mãe e algumas saídas de casa sem aviso prévio ou posterior foram o estopim para a minha mãe me mandar com tudo que estava dentro do meu guarda-roupa e nas minhas prateleiras para a casa do meu pai.

Digamos que eu não tenho uma relação muito boa com o meu pai, para falar a verdade eu não tenho uma relação com ele, em dez anos que ele se divorciou da minha mãe eu passei uns dois natais com ele porque, como sempre, fui obrigado. Meu pai desceu do carro, desci logo depois dele, sem animo nenhum e com meus fones de ouvido plugados ao celular no último volume, talvez por uma coincidência estranha do destino estava tocando Going To Hell do The Pretty Reckless.

Por favor, me perdoe padre, não queria incomodá-lo. O diabo está em mim, padre. Ele está dentro de tudo que eu faço.

Era exatamente assim que eu estava me sentido, indo para o inferno, indo para uma prisão, tirei as malas do carro sem trocar uma palavra com o meu pai desde que ele foi me buscar umas três horas atrás. Meu pai tinha se mudado para o estado vizinho, e talvez esse fosse o motivo de ele ter se afastado de mim, mas não consigo me lembrar se ele foi um pai muito presente na minha infância.

Meu pai chamou o elevador e apertou o botão do 39º andar, a medida que o elevador subia meus pensamentos voltavam para a cidade que eu deixei para trás, para o meu melhor amigo, para todas as minhas lembranças. O elevador parou no andar sem parar em nenhum anterior, meu pai saiu na minha frente e abriu uma das quatro portas do andar, o apartamento era enorme, ele estendeu um chaveiro para mim com uma chave.

- Para que isso? -perguntei tirando os fones do ouvido.

- Se você vai morar aqui, vai precisar de uma chave. -disse ele ainda segurando a chave no meu campo de visão.

- Para que eu vou precisar de uma chave se eu estarei em prisão domiciliar? -perguntei ainda olhando para a chave.

- Aaron, você não está em prisão domiciliar, você sabe disso. -disse ele com a voz suave.

- Então não sei porque eu estou aqui. -disse pegando a chave de sua mão a contra gosto.

- Você sabe porque esta aqui, aqui você não vai ter a mesma liberdade que tinha com a sua mãe. -disse ele com a voz um pouco mais séria. - E nós concordamos que você precisa de um pouco menos de liberdade.

- Certo, certo, já ouvi essa história. -disse revirando os olhos.

- Seu quarto é o último do corredor. -disse ele apontando para o único corredor da casa. - Você tem um banheiro só seu.

- Isso vai fazer toda a diferença. -disse com um tom sarcástico. - Um banheiro só meu.

Ele me guiou até o quarto e deixou a maior das malas próxima a cama. Larguei as outras duas que estava carregando em cima da cama. Não posso negar que o quarto era bem grande, meu pai devia ter comprado todos os móveis recentemente, uma cama, uma escrivaninha, algumas prateleiras e um guarda roupas imenso, todos em cores claras, branco, marfim e bege em perfeita harmonia.

- Espero que goste das cores, não sabia se você preferiria claras ou escuras. -disse ele olhando apreensivo para mim.

Dava para ver que ele estava se esforçando para compensar todos os anos perdidos e fazer minha estadia aqui um pouco melhor.

- Estão ótimas, obrigado, Fernando. -disse um pouco envergonhando por ter sido tão grosso com ele alguns minutos atrás.

Ele saiu do quarto, fechando a porta, sem dizer mais e me deixou sozinho para me familiarizar com o espaço. Abri a janela que dava para o outro edifício do condomínio e uma piscina logo a baixo, bem a baixo. Me afastei da janela com uma vertigem repentina, não achei que fosse tão alto.

Abri a maior das malas, que era as que estavam as roupas e comecei a guarda-las no armário, meu celular continuava a tocar, mas não nos fones de ouvido. Eu sempre achei que a função shuffle do meu celular sabia o que estava acontecendo comigo, e talvez ela soubesse mesmo, algum tempo depois quando sentei na cama e prestei atenção na música estava começando A Place In This World da Taylor Swift.

Eu não sei o que eu quero, então não me pergunte, porque eu ainda estou tentando entender isso. Não sei onde essa estrada vai dar, eu estou apenas andando, tentando ver através da chuva que vem caindo. Embora eu não seja o único que se sente da forma que eu me sinto.

Digamos que eu estivesse me sentindo perdido e sozinho. Ouvi uma batida leve na porta e levantei para falar com meu pai.

- Estou indo para a piscina. -disse ele quando eu escancarei a porta do quarto. - Quer vir junto?

- Não. -respondi após ponderar um pouco se deveria ou não. - Melhor terminar de arrumar isso logo.

- Se mudar de ideia, você já sabe onde é a piscina. -disse ele apontando para a janela aberta.

- Okay, obrigado. -disse voltando a fechar a porta quando ele saiu.

Voltei minha atenção para as malas novamente, abri uma das que estavam em cima da cama, mais roupas algumas roupas e alguns livros e filmes. Coloquei as roupas dentro do guarda roupa quase abarrotado e os livros e filmes nas prateleiras em cima da escrivaninha.

Ouvi a campainha do apartamento tocar, meu pai devia ter esquecido a chave, peguei a minha chave que eu havia largado ao lado do celular na escrivaninha e fui abrir a porta.



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Gente, eu já postei essa história há um tempo atrás (5 anos para ser mais preciso) e estou reescrevendo agora com um menos de apelação. Espero que gostem e não esqueçam de votar (se gostarem, claro) e comentar (se quiserem).


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