21. The peace

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Baekhyun engoliu em seco. Ele realmente iria fazer aquilo, mas isso não significava que não estava com medo. Estava apavorado.

"Se você voltar a pisar neste vilarejo, estará fugindo de seu destino, e serás apedrejado até a morte". Palavras cruéis como essas foram ditas por pessoas de bem, que frequentavam a igreja todo domingo, sem falta. Era uma puta hipocrisia.

O ômega não entrou no vilarejo de imediato. Ele queria tomar o caminho mais rápido até o convento, por isso contornou os arredores até chegar numa estrada reta que sabia levar diretamente até onde queria ir. Só então ele respirou fundo e seguiu naquela direção, de cabeça baixa para não chamar atenção das pessoas, já que mesmo estando de noite, ainda era bem cedo.

Mas já deveria imaginar que um ômega vestindo um shorts um tanto curto e uma camisa grande de mangas compridas, ambos sujos de terra, assim como suas pernas, braços e rosto devido às suas várias quedas enquanto fugia, era algo que chamaria atenção. Sem falar no cheiro forte de alfa vindo dele enquanto ele corria em direção ao convento.

- Olhem, é o Baekhyun! - alguém gritou quando o ômega passava numa rua muito movimentada. Justo a rua da igreja, o que fez Baekhyun lembrar que era domingo e que tinha missa durante a noite.

A boa notícia era que a madre e as freiras do convento deveriam estar por perto, na igreja. A má era que várias pessoas olhavam para ele, buscando saber se ele era mesmo o Baekhyun, o sacrifício que todos eles ofereceram à besta que os aterrorizava nas noites mais sombrias. O Baekhyun que estava proibido de voltar àquele lugar, correndo o risco de ser apedrejado por fugir de seu destino e arriscar a paz de todos.

Várias pessoas começaram a falar ao mesmo tempo, apontando os dedos para si com expressões surpresas e ferozes. De repente, ele já estava cercado. Em qualquer direção que olhasse, via pessoas bem vestidas o olhando com nojo, como se o julgasse. Via rostos conhecidos e desconhecidos. Mas nada de ver as freiras que o acolheram no convento quando era apenas uma criancinha.

- O que ele está fazendo aqui?

- Ele deveria estar morto!

- Volte de onde você veio!

- Vai embora daqui, seu monstro!

- Você veio nos amaldiçoar?!

- Por que voltou, seu desgraçado?!

Diziam frases como essas sem parar, mas Baekhyun não se deixou abalar. Ele não ligava para o que aquelas pessoas diziam, embora não entendesse o porque de guardarem tanto rancor de si, sendo que ele nunca fez nada contra elas. Ele só queria encontrar a madre e implorar para que ela ajudasse seu alfa.

Contudo, quando Baekhyun deu um passo em direção à igreja não muito longe dali, ele sentiu algo o atingir no braço. Ardeu pra caralho, e quando ele olhou para baixo, viu uma pedra não muito grande, mas que também não era pequenininha.

- Você trouxe desgraça a esse lugar, vai embora! - alguém gritou, jogando outra pedra nele, o acertando nas costas.

E então veio outra e mais outra, levando lágrimas aos olhos do ômega sempre que era atingido em um lugar sensível a dor, já que não podia se defender por estar com as mãos protegendo apenas seu rosto. Alguns lugares como a barriga, costas e pernas já doíam pelas pedradas que levava, com certeza ficaria cheio de roxos nos dias seguintes, se saísse dali com vida, é claro.

An Angel To The BeastOnde histórias criam vida. Descubra agora