CAPÍTULO TRINTA

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  Eu tenho uma teoria: se você tem um assunto importante a tratar e não pode fazê-lo imediatamente, fique de boca fechada. Dizer "precisamos conversar" e adiar esse momento é simplesmente muita crueldade. Mas foi exatamente o que a minha mãe fez. Eu expus como aquilo me deixava furiosa, mas mãe é um bicho danado e sempre tem algum argumento.

− Eu sonhei que você não voltava para casa − ela disse com a voz melodiosa para me desarmar. − Mas eu preciso que você volte, pois seu pai e eu queremos conversar com você.

E o que mais eu podia fazer? Como eu podia lutar contra esse tal de sexto sentido que as mães dizem ter?! Fiquei furiosa, só faltou espumar pela boca. O que eu faria, caso soubesse. Mas como não era o fato, tentei me acalmar com os braços de Nico me envolvendo e seus lábios que sussurravam palavras carinhosas para mim. Quando nos reunimos com Noah e Marcela novamente, eu já parecia uma pessoa normal novamente. Bom, isso depende do que você considera normal, é claro.

Tivemos uma noite agradável. Assistimos a filmes, comemos pipoca, bebemos refrigerantes e conversamos muito. A minha melhor amiga partiria na manhã seguinte e teria cerca de quinze dias para preparar a sua mudança e voltar para Buenos Aires. Isso significava que nós teríamos poucos dias juntas também no Brasil, mas eu estava tão feliz por suas conquistas, que tentava deixar esse pensamento de lado.

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Despedir-me dela na manhã seguinte foi difícil. Eu queria abraçá-la bem apertado até esmagar suas costelas, o que ela considerava uma demonstração exagerada de carinho. Não que eu me importasse. Ignorei seus protestos e abracei-a. Logo em seguida foi a vez de Noah. Eles trocaram um sorriso cúmplice, mas compartilharam apenas um abraço. Nico já estava na livraria, mas havia enviado uma mensagem desejando um bom retorno para a minha amiga. O final da mensagem dizia: "Nos vemos em breve", e secretamente eu desejei que aquelas palavras tivessem sido direcionadas a mim.

Pelo aeroporto ecoou a última chamada do voo da Marcela. A despedida não foi tão dramática quanto seria se dependesse única e exclusivamente de mim, mas eu ainda estava emotiva. Noah me abraçou e prometeu que teríamos um dia agradável, e de fato nós tivemos. Fomos até La Boca, onde fizemos um passeio pra lá de divertido. Almoçamos no Caminito e tiramos muitas fotos em meio a tantas cores. Eu achei que todas aquelas cores fossem propositais para dar um charme extra ao bairro, mas Noah me disse que não. As casas possuíam diversas cores, pois o bairro fora habitado principalmente por imigrantes que chegavam de navio ao porto, localizado naquela parte da cidade. E, como o dinheiro era pouco, os imigrantes pintavam as casas com as tintas que sobravam nos navios. Esse era o motivo de tantas cores. E não é que o resultado era visualmente incrível? Alguns podiam considerá-lo caótico, eu o considerava expressivo. No final no dia, nos encontramos com Nico. Noah foi encontrar alguns amigos da faculdade e nós fomos a um restaurante maravilhoso no centro da cidade. Aquela estava sendo uma noite fantástica!!!

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− Nina... Seus pais biológicos querem conhecê-la − minha mãe me disse com um semblante que não expressava nada.

− Nós contraímos uma dívida muito alta com a família do Marco −meu pai dizia com vergonha. − Você precisa se casar com ele, minha filha.

− Eu e o seu pai estamos muito doentes − era a voz cansada da minha mãe. − Precisamos de você aqui conosco.

− Nós não a adotamos − confessa o meu pai, cabisbaixo. − Eu e a sua mãe a sequestramos, mas foi tudo por amor...

− Você tem uma irmã. E ela está morrendo...

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Acordei. Assustada, ofegante e suada. Nico levantou no mesmo instante, em estado de alerta. Embora aquilo tivesse sido apenas um pesadelo, algumas lágrimas escorreram pela minha face e outras até ousaram entrar na minha boca. Não consegui conter um choro baixinho e assustado. Nícolas me estendeu um copo d'água − sempre muito bem localizado na cabeceira de sua cama − e em seguida me abraçou. Era provável que eu estivesse me preocupando demais com essa tal conversa familiar misteriosa... Mas o que eu podia fazer? Tenho uma imaginação fértil totalmente influenciada por milhares de novelas mexicanas.

Eu tenho uma pequena teoria sobre relacionamentos e gostaria de compartilhá-la com vocês. Um homem − ou mulher, depende da sua orientação − que é bom de cama, gosta de você e tudo o mais, é incrível, não acham? Mas percebemos que esse homem − ou mulher!!! − é a pessoa certa apenas quando ele, numa situação difícil, escolhe ficar do nosso lado. Em namoricos colegiais é comum que uma das partes não se empenhe em ajudar a outra em todos os momentos... Bons e ruins; pessoais e profissionais. Mas quando encontramos alguém que nos apoia incondicionalmente e não mede esforços para estar do nosso lado, é provável que essa seja "a pessoa certa".

E era exatamente isso que eu via em Nico. Ele passou a noite toda me acalmando, e percebendo que seria difícil voltar a dormir, ele ficou acordado comigo jogando conversa fora. No meio da conversa ele me contou que vinha trabalhando secretamente no envio dos meus currículos, principalmente para os seus conhecidos do ramo. Um sorriso tão grande se formou nos meus lábios... Ele pareceu feliz por estragar seu segredo.

Quando amanheceu e tudo parecia mais claro − no céu, na minha mente e no meu coração − Nico me convidou para um passeio na feira de San Pedro Telmo. Comemos apenas uma fruta, pois ele me garantira que a gastronomia de rua da feira era maravilhosa. E, para variar, ele estava absolutamente certo.

Comi a melhor − e mais diferente − empanada da viagem. Ela era aberta e trazia no seu interior queijo, presunto e catupiry. As fornadas eram pequenas e como o local estava lotado, todo mundo comia as empanadas bem quentinhas. O acompanhamento? Refrigerante de pomelo. Difícil explicar o gosto dele, viu? Mas ele é cítrico e doce na medida certa.

Embora eu quisesse repetir a dose daquela empanada maravilhosa, Nico me aconselhou a guardar espaço para as outras delícias que viriam ao longo do dia. E bom, vocês já devem ter percebido que eu não tenho motivos para não confiar nele, não é mesmo?!

Eu fiquei totalmente deslumbrada com a feira. Estava lotada e havia uma variedade sem fim de produtos. Lojas, barracas e toalhas estendidas na rua. Os preços eram divinos... Não dava para resistir! Comprei uma bolsa caramelo de couro e franja para mim. Ela era linda e no Brasil eu nunca a acharia pelo mesmo valor. Aproveitei para comprar uma bolsa para a minha mãe e uma carteira para o meu pai. Eles iriam adorar. Continuamos andando e entre compras e fotos, Nico e eu trocávamos beijos e carícias. Eu estava me sentindo tão realizada naquele lugar, ao lado dele... Era um sacrilégio pensar em construir a minha vida adulta em outro lugar.

Já era quase meio dia quando ele me puxou pela mão e resolveu aderir ao mistério recentemente aderido pela minha mãe.

− Vem comigo − ele disse, me carregando para o desconhecido entre o aglomerado de gente. − Tenho uma surpresa para você!

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Oi gente lindaaaaaaaa! Hoje passei aqui na hora, né? :p Tem capítulo novo, mas sei que ainda vou deixar muitos de vocês curiosos. Mas não se desesperem, ok? Logo, logo vocês vão poder desvendar todos os mistérios da trama. Mesmo escrevendo uma comédia romântica, não consigo abrir mão desse suspense que eu, particularmente, AMO nos livros.

Todo mundo aqui já leu "Você nunca está sozinho"? Espero que sim, hein!!! O conto é bem curtinho, com meia hora você consegue lê-lo todinho ;) E não esqueçam dos comentários, viu? <3

A minha caixa está cheia de mensagens, prometo tentar responder todos ainda essa semana. Aos leitores novos... Caso queiram ganhar marcadores de página de poder extra g, comentem aqui e me mandem seus endereços por mensagem privada, ok? *_*

E acho que é isso, gente. Espero que tenham gostado do capítulo e até sexta!!!

Los quiero <3 <3 <3

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