Jeongguk em toda sua vida nunca imaginou que se envolver amorosamente com traficante o deixaria em ruínas. Entretanto, permitiu viver essa experiência uma única vez na vida.
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Olá meus mores. Como vocês estão, de boas? Então, só para deixar claro. Essa obra é carregada de um Dark romance. E ela está sendo repostada, pois está passando por revisão.
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Às vezes, a maior tortura não é ser visado é saber que o vigilante ainda não executou o golpe.
Jeongguk estava sentado à mesa da cozinha, os cotovelos apoiados no tampo frio. O mármore gelado mordia a pele de seus antebraços, mas o frio não chegava à sua espinha. Ele encarava a caixinha de leite quase vazia. O relógio marcava dez da manhã, mas a luz que entrava pelas cortinas era pálida, quase cinzenta, como se o dia tivesse nojo de amanhecer por completo. O apartamento engolia o som distante dos carros, deixando um silêncio que parecia um vácuo pronto para ser preenchido pela voz errada. Tudo ao redor parecia suspenso — como se o mundo prendesse a respiração junto com ele, esperando o próximo ataque. Ele virou a caixa e apertou até as bordas amassarem. As últimas gotas caíram num copo riscado, respingando no fundo. Bebeu rápido, sentindo o sabor fraco, infantil, que em nada combinava com o peso imundo que carregava no peito. O líquido mal hidratava. Aquele gole era um decreto de falência. Lembrava de um tempo em que as coisas eram simples. Agora, o leite era apenas pretexto. Um motivo qualquer para movimentar a casca, atravessar ruas, ocupar o corpo. Manter a mente em movimento — porque, quando ele parava, Taehyung vinha. Sempre ele, o tumor que crescia no silêncio.
Vinte e oito dias.
Esse era o tempo desde que finalizara o ferimento na pele de Kim Taehyung no centro cirúrgico. Vinte e oito dias desde que aquele homem surgira em sua vida com a calma de quem escolhe a dedo a nova obsessão. Desde então, cada noite era atravessada por imagens dele: a cicatriz sendo fechada sob seus dedos, o olhar escuro e fixo demais, o meio sorriso que não pertencia a quem estava entre a vida e a morte. Jeongguk acordava suado, o lençol grudando nas coxas, sem saber se tremia de ódio ou do desejo viscoso que o fazia ranger os dentes. Empurrou a cadeira para trás, o arranhar do metal no chão soando alto demais na cozinha vazia, como um grito abafado. Foi para o banheiro. O vapor do chuveiro se espalhou rápido, embaçando o espelho antes mesmo de ele entrar. A água quente bateu em sua nuca como um soco de alívio, mas não lavou o cheiro de hospital preso aos poros. Ele esfregou os braços, o peito, a garganta, até a pele ficar avermelhada em carne viva, como se pudesse arrancar de si a lembrança de mãos que não deviam estar lá, mas que ele cobiçava.
De olhos fechados, deixou-se afundar no vapor, tentando enganar o próprio corpo. Mas até no silêncio do banho ele ouvia aquela voz grave, lenta, arrastada. Boneca. O apelido sujo ecoava como se fosse gravado a fogo sob a pele. Saiu depressa, embrulhando-se na toalha como numa bandagem temporária. Vestiu o scrub azul — a única cor que ainda lhe dava alguma sensação de controle estéril. Como se fosse um uniforme de guerra. O celular vibrou na mesa de cabeceira. Namjoon. O respiro de sua miséria.