Capítulo 02

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Gabriela Baltazar

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Gabriela Baltazar

Tento não pensar muito sobre o fato de estar sendo sequestrada, tento fingir que é somente um atendimento de emergência em outro lugar, mas é algo muito difícil de fazer já que o homem no banco de passageiro tem uma arma enorme nas mãos, o homem ao meu lado tem uma pistola. Eu devo ter enlouquecido, mas se eu não tomasse uma atitude a Isa poderia morrer.

Respiro fundo, puxando o ar devagar para o meu pulmão, tentando fazer uma técnica respiratória para me acalmar, mesmo que não seja completamente eficaz por causa da pressão que estou vivendo, mas se ao menos eu conseguir ficar calma o suficiente para que as minhas ações sejam feitas de maneira calma e calculada. Eu sou uma médica, preciso manter o sangue frio em tantas situações, essa vai ser só mais uma, mesmo que eu seja recém formada e esteja apenas na minha residência, vai dar tudo certo, depois eu vou voltar para casa e vai ficar tudo bem.

— Estamos chegando já, porra! Não grita no meu ouvido não — Escuto o homem ao meu lado falando, e me encolho um pouco por causa da sua voz irritada — Tamo com uma médica aqui, é claro.

— Onde eles estão, Corvo? — O motorista pergunta dirigindo em alta velocidade.

— Na casa da dona Dulce, bora logo que o chefe já está querendo arrancar nossa cabeça — O Corvo fala, e eu respiro fundo, pensando com o que eu vou ter que lidar.

— Olha doutorinha, melhor você dar o seu melhor ou você vai morrer, tá entendo? — O homem no banco do passageiro fala me olhando irritado e eu apenas aceno.

Eles deveriam saber que essa não é a melhor forma de lidar com uma pessoa sequestrada, sinto que meu cérebro vai desligar a qualquer minuto, mas respiro fundo, eu suporto um pouco mais de pressão. Ou acho que sim.

O carro para de repente e ele descem em um pulo e já me puxam para fora, tenho dificuldade em acompanhar, mas não é como se eles estivessem se importando com algo, apenas me puxam com certa violência pelas até uma casa, a qual eles me forçam a entrar.

— O que está acontecendo aqui? — Escuto a voz de uma mulher e vejo uma senhora de idade vindo em nossa direção — quem é essa mulher?

— É a médica que vai atender o Luquinha — O tal do Corvo fala e a mulher arregala os olhos.

— Ele tá lá no quarto — Ela avisa e olha para mim, diretamente nos meus olhos, e eu percebo que estão vermelhos e inchados — Salva meu menininho, por favor!

— Eu vou fazer tudo que eu puder — Respondo sincera vendo a preocupação dela. Estou sendo sequestrada, mas ainda sou uma médica e vou fazer o que estiver ao meu alcance.

Eles me puxam até chegar em um quarto tão pequeno quanto o resto da casa, eu vejo um menino em cima da cama, de olhos fechados, mas que está claramente com dor por causa das expressões faciais. Sinto um pequeno empurrão no meu corpo que me faz tropeçar e quase cair.

— Anda logo, porra! — O Corvo grita e eu respiro fundo.

— Sai do quarto, já me trouxeram, agora me deixem trabalhar — Falo irritada e viro para ele — Se você ficar gritando no meu ouvido e me agredindo eu não vou conseguir trabalhar, só quero as coisas que eu trouxe e...

— E o que, dotora? — Ele pergunta apontando a arma para mim — Tá achando que manda em alguma coisa, caralho? É melhor ir abaixando a bola.

— Se matar, o garoto vai continuar com dor enquanto você tem que sequestrar outra pessoa — Respondo, mas por dentro estou morrendo de medo que ele aperte o gatilho.

— O que você está fazendo Corvo? — A senhora aparece e eu quase respiro aliviada — O que vocês fizeram?

— Pede para ele abaixar a arma e sair, por favor — Apelo para a senhora que apareceu novamente entrou no quarto, quase ficando na mira que está em mim.

— Eu vou falar para o Loki que você não está deixando ela trabalhar — A senhora ameaça e ele me olha com raiva — Tô falando sério.

— A gente vai ficar na sala, é melhor tu não fazer nenhuma gracinha — Ele avisa e olha para a senhora — E a senhora, dona Dulce, fica de olho nessa vagabunda.

— Minhas coisas — Peço, ignorando que ele está me olhando com raiva e vejo ele sair do quarto.

— Olha o menino, eu não sei como eles te trouxeram, mas já imagino, mas o Luquinha... — Ela suspira chorosa — O Luquinha é só uma criança.

— Me conta os sintomas, o que ele tem sentido até ficar de cama? — Pergunto indo em direção à cama novamente. O Luquinha está coberto, a testa suada, e agora que me aproximei consigo estudar seus murmúrios de dor, a situação não parece boa.

— Ele tem uma ferida no braço, foi depois dessa ferida que ele começou a ficar ruim — Ela explica e eu descubro a criança enquanto ela fala para poder ver o braço — Eu achei que o curativo era o suficiente, mas não, ele foi só piorando e piorando.

— Por que não levaram ele ao hospital? — Pergunto e ela fica em silêncio.

Luquinha parece ter cerca de três anos, e me parte o coração que ele esteja com tanta dor tão novinho. Com cuidado avalio um braço e não tem nada, mas o choque vem quando avalio o braço esquerdo, a ferida não é comum, isso parece... respiro fundo, vendo toda a inflamação, o que explica a febre.

Olho ao redor e vejo só a dona Dulce me encarando com expectativa, e nada do Corvo com as minhas coisas, faço algo que não deveria, toco no braço dele sem uma luva para avaliar, e no momento que faço isso ele começar a chorar, mas eu sinto um caroço lá dentro, e as minhas suspeitas ficam ainda mais confirmadas, mas acho que ele levou um tiro e a bala alojou. Eu não consigo entender como isso aconteceu.

— Ele levou um tiro — Eu falo baixo e chocada — Ele precisa de uma cirurgia para retirar a bala.

— Caralho! Eu vou matar um hoje — Escuto a voz de um homem, não é o Corvo, mas quando me viro pronta para falar sobre o caso, minha garganta seca e eu entro em choque, mais uma vez.

— Eduardo?

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Oie, espero que tenham gostado do capítulo ❤️

Meu insta é @thainarro

Quem quiser conversar, ter mais informações, ou qualquer coisa assim, só chamar.

Beijinhos da Thai e até o próximo capítulo ❤️

Interações me motivam a voltar mais rápido 🙃

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