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Archie

    Caminho distraído olhando os arredores.  A grama baixa roçando na sola de minhas botas enquanto sinto a umidade fria contra meu rosto. Havia pouco tempo que o sol se ergueu no horizonte e resolvi me aventurar, pois velhos hábitos nunca morrem. E apesar de ainda ser tão cedo, deveria admitir que Lucien colocou seus jardins muito bem protegidos com guardas.

   Mas não foi a segurança que me chamou tanta atenção. Ali no centro do jardim, em uma área ladrilhada, observei quieto e em silêncio, com minhas mãos juntas atrás das costas a pequena Savanah treinar reverências e acenos de cabeça.

   Uma criança de pé tão cedo era algo intrigante. Eu sabia que meus filhos se demorariam na cama, pois foram dormir bem tarde.

— Está perdido?_ a vozinha receosa, mas angelical me tirou de meus pensamentos.

Olhei cético para a pequena princesa mexendo desinquieta seus dedos das mãos juntas. 

— Não necessariamente. _ respondi tranquilo balançando a cabeça em negativa e me aproximei. Ali perto havia um grande banco de pedra,  me deixei sentar, e avaliar melhor o jardim verdejante e exuberante._  Eu estava fazendo algo que faço desde que tinha sua idade...

— E o que era?

— Estava procurando cada entrada e cada saída desse castelo. _ suspiro e maneio a cabeça_ e devo admitir que seu pai realmente não mediu esforços para construir tantos túneis.

— Por que faz isso?

— Porque se um dia eu precisar sair as pressas por causa de um perigo, sei por onde ir. Mas também se precisar tirar pessoas que amo por um túnel diferente, e ficar de isca...bom, isso também servirá.

   Savanah piscou cética, parecendo pensar em minhas palavras com cuidado. Para uma criança, ela era bem atenta.

— E você viu todos os túneis?

— Não sei! É por isso que estava andando por ai. Conhecer o terreno onde estou, é importante!_ dei de ombros e Savanah se aproximou, ela sentou ao meu lado no banco, seus pés ficaram longe do chão. _ Estava treinando a etiqueta?

— Sim! _ ela balançou os pés, tão tranquila e alheia a tudo que me fez sorrir ao me lembrar de minhas meninas mais velhas nessa mesma idade. _ Eu quero ser uma rainha!

— Oh!_ exclamei baixo, apertando as sobrancelhas e olhando a paisagem. Pelo menos uma criança não tinha medo de falar comigo. _ Bom, isso realmente exige bastante treino e paciência. Mas porque quer ser rainha?

— Noah vai ser rei. E eu quero ser rainha...

— Bom, entendo que você é só uma criança e não deve ter um motivo totalmente definido ainda...._ Sussurro reflexivo para mim mesmo e suspiro_ E como pretende ser rainha?

— Eu não sei... Você sabe como alguém se torna rainha?

— Você provavelmente teria que ser a primogênita de seu pai, ou a próxima da linha de sucessão, viva. Mas a opção mais rápida é se casando com um rei, ou um príncipe herdeiro...

— E onde eu arrumo um?

— Para que tanta pressa? Você tem quantos anos?

— Vou fazer seis anos no mês que vem. _ Savanah me olhou tranquila e maneio a cabeça.

— Sinto em lhe dizer, mas realmente é muito cedo para se casar. E também não acho que seu pai permitiria tal coisa. _ nego balançando a cabeça devagar.  _ Mas você deveria aproveitar que levará algum tempo para isso e treinar. Não deve ser fácil ser uma rainha. Elas precisam ser tão....perfeitas. Um rei precisa de uma rainha que seja muito inteligente, atenta aos pequenos detalhes, uma mulher que possa liderar na ausência dele. Alguém para estar sentada ao lado no trono... Para isso, rainhas precisam batalhar bastante para serem reconhecidas como tal. Minha mãe e minha esposa são um grande exemplo de rainhas impecáveis e destemidas. Você deveria pedir ajuda a Evelyn com a etiqueta. Lembro que foi a própria  que ensinou  a Helena.

À Sombra de um ReiOnde histórias criam vida. Descubra agora