~17~

2.1K 274 140
                                        

Archie

Terra! Até que em fim terra firme!_ Vi Willy subir no parapeito do barco desesperado e se jogar no mar.

   A nossa frente, em algumas dezenas de metros, a praia de Midorina. Olhei ai redor estupefato, e apesar do crepúsculo, a neblina que rondava os rochedos pontudos que emergiam dentro do mar deixava uma sensação de aventura e mistério do que encontrar depois daquelas areias negras.

   Uma gargalhada de puro ânimo e euforia ecoou, me dando apenas tempo de acompanhar o vulto dos cachos ruivos no ar antes do barulho na água me fazer arquear a sobrancelha.
 
   Willy ia nadando em braçadas fortes,   como se cada segundo do nado fosse salvar sua vida. Acho que ele nunca mais vai querer entrar em um barco novamente. Logo atrás dele, Helena ia o alcançando,com um sorriso contagiante.

     O som dos passos me fizeram olhar para os filhos do Duque, loucos para seguirem o exemplo do tio e da mãe, mas interceptados por Dylan que se desdobrava para segurar seu trio a todo custo contra seus braços.

— É muito longe para vocês!

— Mas pai...

— Não! Não! Não! Vai sobrar para mim carrega-los nas costas enquanto nado! E não estou afim de me molhar agora! _ Dylan se impôs de forma firme. Seus filhos fizeram caretas de desapontamento.

Ele os soltou, desconfiado, e na primeira brecha, sua única garotaz tão teimosa quanto a mãe, se esticou para longe dos dedos do pai e pulou do barco. Meus olhos arregalaram e me debrucei a tempo de ver a menina erguer o queixo e ofegar, enquanto nadava atrás da mãe.

—  Está encrencada mocinha!

Ri rouco ajustando minha postura e olhei por cima do ombro para Evelyn apenas olhando de soslaio para nossos filhos. Eles estavam roendo as unhas, como se tentassem decidir se seguiam os exemplos de seus amiguinhos ruivos, ou se temiam minha desaprovação.

— É melhor não fazerem isso. Parece que vai esfriar. Irão perder toda a diversão se ficarem doentes. _ Evelyn comentou se afastando, pousando sua mão sobre o parapeito e rolando seus olhos atentos por toda a dimensão da praia.

— Quem tiver coragem pode ir, mas eu não vou pular atrás de vocês como o duque. _ aviso humorado, e as crianças se olharam.

— A gente vai esperar. Não seria prudente fazer isso..._ Dara deu de ombros fingindo desinteresse na ação.

— Não seríamos bem vistos como príncipes e princesas se fizermos isso. - León complementou e soltei um suspiro baixo.

— Está tudo bem se quiser fazer isso filho. Lucien não vai se importar. _ Evelyn sussurrou _ não vai julga-lo impróprio da honra de seu pai por isso!

— Mas suas ações tem consequências, seja elas boas ou ruins! _ comentei apontando para Dylan na água socorrendo sua filha que ja tinha cansado de nadar e tinha começado a se afogar.

Olhei para o pequeno Yan, o caçula do Duque, suas mãozinhas juntas rente ao peito e seu rosto fechado em incredulidade e julgamento. Seus olhos azuis se viraram levemente arregalados e encontram os meus.

— Eles são loucos....

   É, acho que sei quem puxou o Dylan em meio a tantos fios ruivos. Ainda mais este, que seus cabelos saíram mais claros que os dos irmãos, não chegando a ser loiro ou ruivo. Ri rouco e vi Merlia olhar para mim e depois para a praia, tantas vezes que me preparei. Eu conhecia minha filha caçula...

   Merlia gargalhou eufórica, saltitante e abri os braços para agarra-la antes que ela pudesse se jogar na água. Girei, com as solas de minhas botas deslizando pela mandeira do convés, com Merlia se debatendo em meus braços. E foi pelo sorriso sútil nos lábios de Evelyn, que eu soube que Lucien tinha finalmente aparecido na praia para nos dar boas-vindas.

À Sombra de um ReiOnde histórias criam vida. Descubra agora