~ 16 ~

2.1K 275 47
                                        

Any

  Batidas na porta me fizeram espreguiçar na cama. Esfrego meus olhos, observando a claridade invadir pela janela com as cortinas sacodindo com a brisa da manhã. Parecia ainda tão cedo, como se o sol tivesse acabado de romper no horizonte.

   Novas batidas me tiraram da sonolência e afastei os lençóis, meus pés tocando o chão frio enquanto a barra da chamise roçava em meus tornozelos.

— Humm..._ praguejo bocejando, esfregando os olhos e abro uma brecha na porta, olhando ainda sem reação para a pessoa parada de pé, com sua mãe erguida para bater novamente na madeira.

Pisco estoica, sentindo minhas bochechas corarem e aliso meus cabelos me ajustando. Nicolas ri folgoso, tombando a cabeça.

— Não precisa se preocupar com isso. Desculpe acorda-la tão cedo, mas precisa falar com você antes das tarefas do dia me ocuparem por completo.

   Abri a porta, me escondendo atrás dela e Nicolas entrou no quarto, maneando a cabeça. Fechei a porta assim que ele entrou, rolando seus olhos pelo cômodo antes de cair seus olhos verdes em mim.

— Sobre ontem... Eu queria falar com você sobre ontem!_ Ele apertou as sobrancelhas de um jeito sério e engoli em seco. Acenei em positiva, juntando nervosamente minhas mão a frente de meu corpo. _ Eu me sinto mal por ter passado por você sem nem mesmo ter perguntado como você estava se sentindo. Eu estava consumido pela raiva...

— Oh! Não fiquei chateada com isso se isso que está se referindo. _ Sussurrei e ele me deu um sorriso fraco. _ Eu apenas fiquei assusta, porque àquilo aconteceu... Não que aqueles homens tenham chegado a encostar em mim! _ ofego estendendo a mão, tentando me justificar rapidamente.

— Mas eles pertubaram você. E isso te assustou. Além disso, eles ofenderam meu melhor amigo... Somente Artur e eu sabemos o quanto ele se sentiu mal com aquele insulto. _ Nicolas voltou a apertar as sobrancelhas e olhar para o horizonte.  _ Foi mais do que motivo o suficiente para me fazer ficar possesso de raiva.

— Artur ...ele está bem? Eu o vi bater naquele homem, mas não tinha imaginado que isso tinha mexido com ele..._ pergunto preocupada e Nicolas soltou um suspiro pesado.

— Ele vai ficar bem. É melhor você não tocar nesse assunto com ele. _ Nicolas esfrega os nós dos dedos parecendo tão receoso, que até mesmo seu olhar está longe, como se ele estivesse com medo de dizer algo. Sua boca se abriu, mas nenhuma palavra saiu, então a fechou, apertou mais o cenho e suspirou mais uma vez. Seus olhos se voltaram em minha direção, e engoli em seco. _ Você... Gostaria de ir visitar seus pais? Eu pensei que você, talvez, estivesse se sentindo deslocada aqui, sentindo falta de seu ambiente habitual...

Meus olhos se arregalaram levemente, e minha boca ficou entreaberta. Pisquei atonita, estagnada em sua figura, esperando pacientemente minha resposta.

— Bom, se você sentir vontade de visitar Cristalia, eu vou mandar providenciar tudo para que possa ir confortável. E madaria Artur acompanha-la, e levar meus cumprimentos aos meus sogros. Com a ausência de meu irmão, eu não poderia ir, mas eu quero que você seja feliz em primeiro lugar...

— Mas, eu sou sua esposa. E se você fica, eu também deveria ...

— Eu lhe disse que não iria prende-la, não é? Se minha esposa deseja ir ver seu antigo lar, visitar sua família, então tem meu total apoio. Se você quiser ir, me avise, e em pouco menos de dois dias tudo estará ajeitando para sua viagem.

— Quanto... tempo? Digo, quanto tempo eu poderia ficar em Cristalia?_ perguntou receosa baixinho e Nicolas vem em minha direção, parando próximo e me olhando de cima com tranquilidade.

À Sombra de um ReiOnde histórias criam vida. Descubra agora