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Archie

    Fecho meus olhos, sentindo o vento soprar, urrando ao passar pelas velas fechadas. O silêncio impertubavel do oceano...

    Enchi meus pulmões de ar, soltando devagar.

— É bom, não é?_ sua voz mansa ecoou baixo, e soltei devagar me sentindo tão leve, que tinha a sensação que poderia apenas tirar meus pés do chão e voar. Abri meus olhos sem pressa, encarando os cabelos de Evelyn balançando no, sendo levados pelo vento. Algumas finas mechas  a frente de seu rosto quando ela levou a ponta de seus dedos para coloca-las de volta ao lugar.

— Não quero admitir que agora entendo, Lucien. _ Sussurrei, assistindo um sorriso tranquilo surgir em seus lábios, aquele brilho bonito em seus olhos que sempre me prenderam.

   Estendi minha mão, e ela aceitou, enquanto eu a guiei para frente de meu corpo e senti seus braços correrem entorno de meu corpo, me abraçando enquanto se aninhava em mim.

Olhamos na mesma direção, o horizonte consumido pela escuridão. O silêncio por todo barco as vezes quebrado pelo urro do vento, ou o ranger de madeira.

— Era sempre calmo assim?

— Não!_ Eve confessou rindo, e pude sentir seu peito tremer contra o meu em sua risada. _ Sempre foi barulhento, e animado... bagunçado. Silêncio e paz vinham quando todos estavam bêbados de mais, dormindo em algum canto do Rainha do Mar.

— Quantos dias mais vamos velejar? _ perguntei e Evelyn tombou sua cabeça para atrás, me encarando dentro dos olhos e afastei alguns fios de seus cabelos para atrás de sua orelha.

— Acho que mais uns três. No mais tardar quatro. Isso depende do vento e do oceano.

— Você está se sentindo bem? _ perguntei deixando minha mão sair de seu quadril e tocar o pé de sua barriga com carinho, indicando a ela sobre minha real pergunta.

— Um pouco enjoada pela manhã, mas estou perfeitamente bem.

    Acenei em positiva, aliviado com sua resposta e Evelyn suspirou baixinho, voltando sua cabeça para meu peitoral.

— Está confortável não sendo rei no momento?

   Ri rouco afagando seus cabelos e suas costas, erguendo meus olhos para o céu repleto de estrelas naquela noite. Agora, o brilho da lua reluzia sobre as águas do oceano de um jeito bonito.

— É assustador, mas também é bom. Estou me sentindo deslocado, como se tudo que eu soubesse fazer fosse tirado de mim. E agora não sei como devo agir.

— Então para seu alívio, você continua sendo o rei da minha vida. _ ela sorriu abertamente, seus olhos ainda mais brilhantes que aquelas estrelas no céu.

Ergui meus olhos abruptamente para o chorinho sentido, e Merlia surgiu soluçando com força, com seu rosto banhado de lágrimas. Tanto Evelyn quanto eu nos assustamos e nossa caçula veio correndo para nós, abraçando minhas pernas e a peguei em meu colo, olhando seu rosto choroso e amedrontado. Ela soluçou, seu queixo se apertando e seus lábios tremendo.

— Conte-me o que te fez chorar!_ disse firme, porém tranquilo, a olhando dentro dos olhos e Merlia abraçou meu pescoço e afundou seu rosto em meu ombro.

— Um monstro de baixo da cama!

   Suspirei aliviado e Evelyn se afastou, me olhando nos olhos, falando comigo através deles:" isso é trabalho para o papai..."

  Afaguei as costas de Merlia e escorei minhas costas no batente do barco.

— Eu vou expulsa-lo de lá! Ninguém assusta minha garotinha! Ninguém! E esse monstro malvado vai ter o que merece por fazer minha princesa chorar!

À Sombra de um ReiOnde histórias criam vida. Descubra agora