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Nicolas

   Meu sangue estava fervendo nas veias quando chutei a porta daquele casebre com todas minhas forças. Eu apenas vasculhei com meus olhos o interior quando a porta soltou das dobradiças. Meus passos ecoaram quando o silêncio caiu, e olhei para a mulher em um cantinho abraçando um menino na sua frente, seus olhos aflitos, cheios de terror.

— Meu assunto não é com vocês. Fique tranquila!_ disse firme acenando para que ela esperasse la fora. Rapidamente ela susssurrou algo para seu filho e correram para fora. Artur apenas a deu um aceno de cabeça enquanto eu podia sentir a estranha quietude de Rupert la fora.

   Eu vaguei pelo interior da casa de pedra sobre pedra, a mesa velha no centro daquele cômodo, com um jantar interrompido, e no canto da parede, me olhando de olhos arregalados com sua bica tremendo, tentando falar algo, o desgraçado que tentou tocar minha esposa e chamou meu melhor amigo de cão, como se ele não fosse nada.

      Olhei para Artur de relance, e com apenas um olhar de volta foi minha confirmação. 

O som das minhas botas no chão ecoaram pelo silêncio absoluto enquanto eu me aproximava cada vez mais do filho da puta, que me seguia com os olhos, sem nem mesmo piscar.

Inclinei minha cabeça mais para frente, o olhando dentro dos olhos, e juntei as mãos atrás das costas.

— Você quer fazer isso do jeito do meu irmão ou do jeito que eu aprendi? _ rosnei entre os dentes, com a raiva borbulhando dentro de mim. Ele balbuciou, e continuou gaguejando.

— D-do rei...

— Péssima escolha!_ grunhi pegando abruptamente a parte posterior de sua cabeça e bati seu rosto contra a mesa repetidas vezes. Seus urros de dor não me fizeram ter compaixão, mas parei, apertando ainda mais forte seus cabelos o vendo chorar.

— Eu não sabia ...

— Você sabia!_ rosnei, sentindo que estava a um fio de perder a paciência e cortar a garganta do desgraçado_ Sabia que ela minha esposa, pois a rainha ja andou por essa aldeia com ela! Você sabia quem era Artur e ainda assim resolveu insultar um paladino o chamando de cão!

Bati mais uma vez seu rosto, com muita força na madeira e ouvi o estralar de seu nariz, indicando que estaria quebrado.

— O que você teria feito com a minha esposa se Artur não tivesse lá?_ me aproximei mais de seu ouvido, meus dentes apertados_ Eu quero o nome dos outros dois que estavam com você! E amanhã de manhã, você vai andar por essa aldeia, e quando perguntarem quem fez isso com você, deixe bem claro quem foi e porque!

    O homem concordou freneticamente, suas calças mijadas de medo, e de seu nariz escorrendo sangue.

— Tem sorte que não foi meu irmão a vir aqui, ou não teria amanhã para você! Tem sorte de lhe enviar para fora desse reino, e mostrar para cada guarda seu rosto, para que nunca passe novamente para dentro! _ o soltei e sai. Artur ficou para atrás, olhando com nojo para o homem antes de se retirar logo atrás de mim. Olhei para a mulher e a criança e acenei com a cabeça_ Desculpe senhora. Mandarei alguém concertar sua porta ainda hoje.

Ela fez uma reverencia, desesperado e aflita.

— Eu peço perdão, alteza. Espero que não tenhamos o ofendido, ou a família real... Eu imploro seu perdão, meu príncipe.

— Vocês não fizeram nada! Apenas o bastardo lá dentro. Deixe-o na sarjeta essa noite! _ aceno um adeus e caminho em direção a meu cavalo.

    Os passos de Rupert se alinharam aos meus, e eu nem sabia porque ele tinha vindo.

À Sombra de um ReiOnde histórias criam vida. Descubra agora