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Evelyn

    Espio pela brecha da porta, e sorri tranquila voltando para o convés. Ja havia abandonado o uso do vestido para aquela viagem, e aparentemente Helena se senriu tentada a trocar as saias pelas calças esta manhã quando me viu.

— Está tudo bem com o Archie?_ Dylan se aproximou preocupado. Olhei para o sol escaldante da tarde, sem uma nuvem no céu.

— Eu nunca vi o Archie dormir assim... É como se ele não durmisse a anos. Nem mesmo o calor abafado do quarto parece o incomodar.

   Dylan sorriu, maneando a cabeça pensativo, graças a seus cabelos loiros, eu não sei se entre tantos fios dourados, há um único branco que indique o passar dos anos para ele. Ainda eramos "jovens". Dylan mal tinha feito seus 37 anos.

— Acho que finalmente a coroa parou de pesar sobre a cabeça dele...por um momento. Se eu pudesse arriscar dizer, diria que Archie deixou de ser rei por um momento apenas para ser um homem que se permitiu dormir mais do que a cama, porque quando soberano, ele tinha que estar de pé antes de todos.

— Então arriscou certo. _ Sussurro olhabdo por cima do ombro, olhando para a passagem que levava ao interior do barco. _ a viagem é longa. Vamos apenas deixa-lo descansar por quanto tempo ele quiser. Ele merece isso... _ suspiro apertando o bíceps de Dylan _ Eu vou ver como sire Willy está.

Dylan riu com seu peito vibrando.

— Helena deu a ele algum tipo de remédio para enjôo. Você deveria ter a visto quando a notícia que iríamos velejar chegou até nós... Ela trouxe uma bolsa de suas ervas, remédios... acho que ela tentou prever qualquer tipo de doença que poderia cair sobre nós, e se preveniu para elas.

    Sorri enquanto andavamos lado a lado pelo convés. Rolo meus olhos pela tripulação, todos sob o sol escaldante, trabalhando sem parar para que nossa viagem fossem o mais breve possível. Como se o criador estivesse do nosso lado, ventos sopravam em rajadas fortes o suficiente para nos dar a sensação que deveríamos nos segurar em algum lugar antes de sermos soprados para fora do barco. As velas estavam estufadas em seu máximo, eu poderia jurar que nosso barco velejava acima de 15 nós¹.

     O casco batia contra a superfície das ondulações do oceano, cortando a água ao meio, e deixando um rastro de bolhas.  As crianças estavam se divertindo de um jeito estranho, apenas sentadas, com as pernas dobradas, e em cada vez que o barco chocava na água e se erguia, eles saiam poucos centímetros do chão como se estivessem flutuando e voltavam gargalhando para o chão com o golpe seco, entre eles Helena se divertindo não menos que cada criança que a cercava.

   Lucien provavelmente diria: olhe só para "nossos" filhos! Aprenderam com o "pai"!

    Ri baixo, voltando minha atenção para Willy, sem sua armadura graças ao sol escaldante, jogado em um canto, com o braço passado sobre o parapeito. A ponta do barco se chocou com força contra o mar, nos erguendo e me fazendo abrir os braços em busca de equilíbrio, o nova batida do casco no mar espirrou água com força para dentro do convés, como garoa sendo levada pelo vento, molhando todos nós. Sire Willy torceu a cara, seu rosto pálido enquanto ele se voltava parte de seu corpo para fora do barco e começou a vomitar.

— Pobre homem... _ Sussurrei afagando suas costas largas. _ eu queria dizer que estamos chegando, Willy, mas temos alguns dias a mais de viagem.

— Eu vou ficar bem!_ ele resmungou rouco, fechando os olhos com força. _ Me joguem no mar e eu voltarei nadando para casa! Nem estamos tão longe de Dazzo ainda!

   Dylan riu, com as mãos no quadril e olhou por cima do ombro, para o horizonte de água imensurável.

— Temo em dizer, Sire Willy, mas acho que estamos longe o bastante para desejar que uma baleia o engula no meio do caminho.

À Sombra de um ReiOnde histórias criam vida. Descubra agora