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Dylan

   Passei a mão pelo lençol, sentindo espaço demasiado e abri os olhos, procurando pelos contornos de Helena naquele quarto abafado e sem janelas. O cômodo era pequeno, cabendo apenas uma cama e uma cômoda que brigavam por espaço, com apenas um pequeno corredor em L entre eles e a porta.

  Me levantei, sentindo meu corpo cercado pelo abafo dos níveis infereriores do barco, onde a circulação do vento era rara. Uma tocha no candelabro preso a parede iluminou o corredor. Olhei de um lado a outro, vendo as portas fechadas, e segui para fora, subindo os degraus, olhando para a madeira manchada. Não me dei o trabalho de calçar minhas botas ou ajeitar minhas roupas enquanto fiquei quase extasiado com a brisa que corria la fora refrescando meu corpo em um sopro denso.

O dia ainda não tinha raiado, a paisagem acinzentada, e nenhuma alma penada de pé ainda.

— Helena?

    Arqueio a sobrancelha ao ouvir o canto baixinho, quase um susssurro que o vento levava. Ergui meus olhos para o ninho do corvo, tão alto que me fez engolir em seco. Subi os degraus em silêncio, e ergui meus olhos para encontrá-la com um olhar perdido no horizonte, enquanto enrolava um de seus cachos no dedo.

— Agora compreendo o que Lucien queria dizer em "elas gostavam de se esconder nos meus esconderijos favoritos..." _ minha viz saiu rouca pelo recém despertar.

   Helena sorriu sorrateira, e sentei de frente para ela, com minhas costas contra onde provavelmente o sol iria nascer. 

— Ja faz tanto tempo... Mas não me esqueci de cada detalhe da primeira vez...

— Isso te impede de dormir? Se lembrar de como tudo aconteceu?

— Foi assustador. Passar a noite deitada dentro de uma canoa, tremendo de frio a ponto de as batidas de seus dentes se tornar alto o suficiente para ecoar, o frio fazer seus ossos congelarem, e a escuridão... Eu me lembro de fechar os olhos e torcer para que realmente fosse aoenas Evelyn, eu e aquele barco, porque imaginar algum mostro marinho surgindo no meio de todo aquele breu ...e eu me lembro de como foi aliviante quando a claridade começou a surgir.

— Já temos alguns anos juntos, mas você nunca contou com detalhes sobre esses dias ...

    Helena dividiu um olhar em seu rosto, suas feições relaxadas no momento em que ela parou de enrolar a mecha de seu cabelo e abraçou seus joelhos, deixando seu rosto repousar sobre eles.

— Palavras são poucas para descrever nosso alívio quando vimos Lucien... Ele nos salvou da morte... Da morte lenta e sofrida, onde uma de nós teria que observar a outra morrer enquanto o sol, a cede e a fome nos castigaria lentamente até nosso último suspiro. O Rainha do Mar e toda sua tripulação foi não apenas nossa salvação, mas a esperança de dias melhores.

    Puxei um de seus pés, o deixando repousado sobre minha coxa enquanto massageava sua sola.

— Voltar lá é muito importante para você e para a Evelyn, não é? Sente como se tivesse demonstrando mais do que a sua gratidão?

— Algo parecido. _ Helena suspirou deixando o corpo relaxar. _ Bom, agora você verá com os próprios olhos as areias que um dia te mostrei embrulhadas em um lenço.

   Sorri subindo meus dedos lentamente em círculos pequenos e imaginários. Os olhos azuis de Helena caíram como uma flecha em meus movimentos, e voltou ao meu rosto. Ela ajeitou o corpo, soltando um suspiro.

— Alguém pode nos ver...

— Não sei do que está falando. _ sorri tranquilo e ela rolou os olhos ao redor.

À Sombra de um ReiOnde histórias criam vida. Descubra agora