~7~

2.4K 291 27
                                        

Archie

   Olhando para Dazzo ficar cada vezmais longe, se tornando uma mancha no horizonte, meu coração se apertou. Ergui meus olhos para as velas abertas, com o vento soprando-nos para bem longe de meu lar.

   Coloquei as mãos no quadril, olhando para as gaivotas planando nos bolsões de ar, o som dos risos das crianças preenchendo o barco junto de seus passos, e corridas por todo convés.

    Olhei por cima do ombro, vendo Helena sobre o parapeito, nas ponta dos pés e os braços abertos enquanto segurava uma das cordas das velas. Dylan estava aflito, tentando decidir se a segurava na cintura ou se apenas confiava que sua esposa sabia o que estava fazendo.

  Vaguei meus olhos, procurando minha esposa, e nem sinal dela. Apertei as sobrancelhas, estranhando a ausência de uma das minhas pequenas, e a vizinha de anjo me chamou atenção para o céu. No alto de um dos mastros, o mais alto deles, eu vi Evelyn com Merlia nos braços, apontando para o horizonte enquanto as rajadas de vento jogavam seus cabelos para trás a chicotear. Merlia bateu palmas, como se Evelyn tivesse a dito onde ficava um baú de ouro.

    Crianças passaram correndo por mim de todos os lados. Leon me agarrou um lado do corpo, e Dara no outro. Eles se olharam afiados, e minha princesa o mostrou a língua antes de disparar em riso para qualquer outro canto com meu primogênito logo atrás tentando pegá-la.

   Ri baixo, com meus olhos brilhando ao ver minhas crianças tão contentes e cheias de energia. Mas voltei a olhar para a mancha de terra no horizonte, quase se perdendo de vez de minha visão. As vezes, eu queria poder descobrir como voltar no tempo, apenas para ver Nicolas de novo com seus dez anos. Eu queria ter feito isso com ele, viajado para lugares diferentes, ter o ensinando as coisas que pedi a Lucien para o ensinar.

   Meu garoto que já não é mais uma criança inocente... as vezes posso ver sua figura miúda, de olhos verdes grandes, e seus cabelos pretos. Posso ouvir seus questionamentos, suas pirraças, o modo engraçado como ele andava com o peito estufado, com suas canelas finas parecendo um franguinho magricelo. E agora ele anda como um homem, fala como um e olha para o mundo como tal...

    Os primeiros indícios de uma briga no convés entre as crianças me fez sair de meus pensamentos, e olhei por cima do ombro sério. Evelyn estava descendo do mastro e Helena resmungando algo para Dylan, descontente com a preocupação do pobre duque.

Respirei fundo, enchendo bem meus pulmões e soltei devagar, deslizando meus pés sobre o assoalho do barco, ficando de frente para aquele pequeno exército de crianças. Juntei minhas mãos atrás das costas, e o silêncio foi caindo imediatamente, um por um, enquanto eles se davam conta que eu os esperava, e corriam, ficando aglomerados e me olhando atentos.

   Evelyn soltou Merlia, a colocando no chão e vi minha caçula correr e se juntar aos outros, fazendo uma careta séria engraçada, que me fez sorrir internamente enquan me manti sério por fora. Vaguei meus olhos em cada rosto, não deixando para atrás nem mesmo os donos dos fios ruivos misturados entre os meus filhos. Eu me considerava tio dos filhos de Dylan e Helena, depois de tanto os ver correr por meus corredores juntos dos meus.

   Um único aceno meu com o queixo e todos em uma velocidade considerável sentaram no chão do convés.

— Para essa viagem teremos algumas regras. _ disse firme, olhando também para Evelyn, Dylan e Helena. Willy estava distante no barco, parecendo enjoado com o balançar do mesmo. _ Se houver alguma quebra dessas regras, nos daremos meia volta e eu juro que nunca mais permitirei vocês saírem de Dazzo.

   Cabecinhas balançaram freneticamente, quase suplicantes. Andei de um lado a outro, olhando para o chão encardido do barco recém limpo, enquanto pensava nas regras para mante-los na linha sem que eles perdessem toda a diversão.

À Sombra de um ReiOnde histórias criam vida. Descubra agora